Mostrando postagens com marcador Lula. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lula. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Fim do Senado Federal?

"O Senado tem maioridade para resolver o seu problema". Foi o que disse ontem o Presidente Lula, na Paraíba. E não defendeu Sarney.

Se não fosse a desmobilização popular, herança da ditadura à brasileira, o Senado Federal já tinha sido fechado. Mas, como o eleitor brasileiro vota em políticos que refletem sua moral e seu caráter, o respaldo dos cidadãos que não se importam e apenas votam - os analfabetos políticos - perpetua e legitima o sinistro jogo político brasileiro.

Democracia? Sim, obrigado. Mas obrigatoriedade do voto não rima com democracia consolidada. Não vejo outra saída para livrar o país de políticos como Sarney e afins que não o fim do voto obrigatório...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

The most popular politician on Earth



Brazil President Lula (Pinewood Derby - South Park)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Lula lá...

"That's my man right here. Love this guy. He's the most popular politician on Earth. It's because of his good looks" - President Obama, on the day after April Fools, at the G-20 summit, as Brazil President Luiz Inacio Lula da Silva approached him.


Only 78 percent of approval rating after the economic crisis

domingo, 8 de março de 2009

Águas de março (2)

Fernando Collor, único Presidente da República que sofreu impeachment, em 1992, foi escolhido por seus pares como Presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado Federal. Uma manobra do PMDB, partido de muitas caras e histórias de vida, mas nenhum pudor. Teme-se o acontecido porque Collor foi alçado à condição de babá do PAC. E o Plano de Aceleração do Crescimento, como todos sabem, é o viagra do Lula.

Com 84 por cento de aprovação popular, Lula imbui-se de um toque de Midas eleitoreiro: todo aquele em que ele "tocar" vira voto. Dilma Rousseff, por exemplo. Depois da cirurgia plástica, do novo corte de cabelo e das lentes de contato, a Chefe da Casa Civil deve ser tornar a primeira presa política a ascender ao Palácio do Planalto, tornando-se Presidente em 2010. Dilma é a mãe do PAC.

Derrotada por mais uma manobra do PMDB, a senadora petista Ideli Salvatti, de Santa Catarina, juntou-se em frustração ao companheiro de partido Tião Viana, do Acre, que perdera a disputa pela Presidência do Senado para o imortal José Sarney, sempre eleito ad infinitum pelo PMDB do Amapá, ex-Presidente da República que faz política como faz literatura: só merda!

Na escolha de Collor para babá do PAC há, obviamente, outra eminência parda: Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-Presidente do Senado Federal. Apesar do frequente fogo amigo, o PMDB pertence à base aliada que garante a governabilidade no Congresso Nacional. Ou, pelo menos, algumas facções do partido pertencem, mas elas são quase sempre tão imperceptíveis a olho nu quanto tendenciosas. No Congresso brasileiro, os interesses que têm primazia são os individuais e, no máximo, os partidários, e não os nacionais.

É por isso que o Partido dos Trabalhadores teme a presença de Collor na maternidade do PAC. A Secretaria de Infraestrutura do Senado é responsável pela aprovação de todos os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento. Agora, as pretensões eleitorais de Dilma Rousseff parecem atreladas às decisões da Comissão presidida por Fernando Collor. E isso é mais assustador do que Gilmar Mendes na Presidência do Supremo Tribunal Federal.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Fio de Ariadne

O mundo como o conhecemos está por um fio. A atual crise financeira e econômica, depois de iniciar-se no mercado imobiliário estadunidense, coloca em xeque princípios basilares do neoliberalismo, como a não-intervenção do Estado nos mercados. No entanto, teria a crise mundial decretado o fim do Estado do bem-estar social?

Sabe-se que a nacionalização do sistema bancário e a ajuda bilionária de Estados nacionais para evitar a falência de grandes empresas engendram um interstício na agenda neoliberal. Assim, novas políticas públicas, alternativas ao neoliberalismo, podem ser promovidas se houver vontade política.

No Brasil, por exemplo, políticas de inclusão social e distribuição de renda têm diminuído a desigualdade histórica entre os mais ricos e os mais pobres. O que explica, em parte, os atuais índices de aprovação do Presidente Lula.

Na verdade, transformar em política pública qualquer demanda legítima depende, sobretudo, de vontade política. E é essa vontade política que pode garantir a sobrevivência à crise mundial. E, talvez, políticas centradas na promoção do bem-estar social representem o "fio de Ariadne" para fora desse "labirinto".

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Chico Mendes: o Lula da floresta?

"No começo, pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a floresta amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade" - Francisco Alves Mendes Filho

Chico Mendes

De todos os estados brasileiros que ainda não conheço, o Acre é dos que mais me fascinam. Não aquele fascínio pelo exótico que o Brasil, historicamente, sempre inspirou no imaginário francês, por exemplo, ante o desconhecido, o diferente, um "outro" radicalmente oposto a si. No meu caso, trata-se de uma admiração que surgiu e cresceu à medida que conheci mais e mais sobre o lugar, sua gente e suas histórias.

Meu interesse pelo Acre começou quando participei de uma série de documentários sobre saberes culturais imateriais da Região Norte, como roteirista, editor e diretor de edição, entre 2004 e 2006. Sobretudo, quando assisti ao depoimento de Osmarino Amâncio Rodrigues, seringueiro acreano, companheiro de Chico Mendes.

Aquelas duas horas de material bruto - sem edição, como captado pelo cinegrafista e pelo técnico de som - com o depoimento de Osmarino não eram apenas uma declaração de amor fraterno ao líder seringueiro. Ali, o discurso de uma testemunha ocular de conflitos vividos no Acre, desde 1973, a tecer a história de sua terra natal, de antes de Plácido de Castro e da quarta Revolução Acreana até à consolidação do Governo dos Povos da Floresta, que deixava claro o papel de Chico Mendes na História: o maior herói brasileiro do último quarto do século 20.

A Paixão de Chico Mendes

Francisco Alves Mendes Filho se tornou conhecido no exterior antes de ser reconhecido no Brasil. Há consenso até entre os ditos jornalistas respeitados de que a grande imprensa brasileira descobriu Chico Mendes e suas lutas às vésperas de seu assassinato. Ou, pior, só depois dele; como admitiu em entrevista o jornalista Zuenir Ventura.

A luta de Chico Mendes em defesa dos seringais e da permanência do seringueiros neles, para preservar a floresta amazônica, tornou-o mundialmente famoso a partir de 1985. Para além da falta de interesse midiático nacional anterior, os seringueiros do Acre eram um estorvo à fronteira de expansão agropastoril que, a partir da década de 1970, promoveu de forma mais ou menos sistemática a ocupação e a destruição da floresta amazônica naquele estado.

Com o apoio de outras lideranças, Chico organizou os "empates", quando famílias inteiras de seringueiros - homens e mulheres, velhos e crianças - impediam com seus próprios corpos que tratores e funcionários com armas de fogo tomassem posse dos seringais para destruí-los. Sua luta em defesa do meio ambiente e da permanência dos seringueiros na floresta conferiu a ele, em 1987, entre outros, o prêmio internacional "Global 500", oferecido pela Organização das Nações Unidas às pessoas que mais haviam se destacado, naquele ano, em defesa da preservação da natureza.

No dia 9 de dezembro de 1988, duas semanas antes de ser assassinado, em entrevista ao Jornal do Brasil, Chico Mendes explicou como funcionavam os empates: "É uma forma de luta que nós encontramos para impedir o desmatamento. É forma pacífica de resistência. (...) No empate, a comunidade se organiza, sob a liderança do sindicato, e, em mutirão, se dirige à área que será desmatada pelos pecuaristas. A gente se coloca diante dos peões e jagunços, com nossas famílias, mulheres, crianças e velhos, e pedimos para eles não desmatarem e se retirarem do local. Eles, como trabalhadores, estão também com o futuro ameaçado. E esse discurso, emocionado, sempre gera resultados. Até porque quem desmata é o peão simples, indefeso e inconsciente".

Chico Mendes era o cara!


Da fricção interétnica às Reservas Extrativistas: uma digressão histórica sobre o legado de Chico Mendes aos Povos da Floresta e ao Brasil

O conceito de fricção interétnica é (tido como) o primeiro conceito criado por um antropólogo brasileiro, Roberto Cardoso de Oliveira, para analisar o contato interétnico entre indígenas e não-índios no Brasil. O conceito é (quase) auto-explicativo. A fricção, inerente ao contato, envolvia o choque: visões de mundo divergentes e mutuamente excludentes que potencializavam o conflito.

Na história recente do Acre, havia disputas entre índios e seringueiros que remontavam aos ciclos da borracha. O primeiro tem origem na demanda por látex para a indústria automobilística estadunidense. No cenário nacional, esse fato imbrica-se à grande seca da década de 1870, que assola o Nordeste e, em especial, o Ceará, dando origem à transumância amazônica - quando cerca de 50 mil nordestinos rumam para a floresta amazônica à procura das chamadas "drogas do sertão"; e se tornam, posteriormente, a mão-de-obra mais abundante do primeiro ciclo da borracha. Durante a Segunda Guerra Mundial, outros milhares de brasileiros, sobretudo nordestinos, os chamados "soldados da borracha", ocupam novamente os seringais do Acre, dessa vez para prover a máquina de guerra aliada em luta contra o nazi-fascismo.

Chico Mendes nasceu no Seringal Cachoeira, em 15 de dezembro de 1944, no município de Xapuri, que conhecera o apogeu e a decadência do primeiro ciclo da borracha no Acre. Filho de seringueiro, também seringueiro. Aprendeu a respeitar o Curupira, ou Caboclinho da Mata, e sabia que, para garantir seu sustento na/da floresta, precisava respeitar todos os recursos do meio ambiente: fauna e flora. Assim, aprendeu a respeitar as seringueiras, fazendo o manejo necessário à recuperação da árvore, sua fonte de renda, de forma sustentável.

Acontece que, paralelamente, com a queda drástica nos preços da borracha, a partir da década de 1960, muitos donos de seringais desistiram do negócio e começaram a vender suas terras para criadores de gado e madeireiros. Foi nesse contexto que Chico Mendes se tornou, cada vez mais, um ator político de destaque nos cenários acreano, brasileiro e internacional.

A partir da década de 1970, no Acre, com sua habilidade nata de negociador e sua disposição genuína em ouvir o próximo, Chico Mendes conseguiu inverter, progressivamente, o eixo do conflito entre índios e seringueiros. À época, era preciso a união do povos da floresta contra inimigos em comum: os ruralistas que tinham a intenção de comprar os seringais e destruir todos os recursos da floresta para transformá-la em pastagens para bovinos.

Sua luta em defesa da floresta amazônica e sua idealização de um modelo de exploração de seus recursos, centrado no extrativismo sustentável da borracha, da castanha-do-pará e da madeira - sistematização de um modus faciendi secular característico dos seringueiros acreanos -, que permitisse a permanência e a sobrevivência do homem amazônico com dignidade e qualidade de vida, redundou nas transformações sociais que propiciaram o estabelecimento das Reservas Extrativistas e do chamado Governo dos Povos da Floresta.

Chico Mendes: o Lula da floresta?

Quem escreve que Chico Mendes foi um homem à frente do seu tempo é jornalista que não sabe o que escrever. Para mim, ele era um homem do seu tempo, no sentido drummondiano ("O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente"). Não é por que o aquecimento global, que provoca mudanças e tragédias climáticas mundo afora há décadas, se tornou, de repente, alvo do interesse midiático e, por conseguinte, da opinião pública, que Chico Mendes se torna, automaticamente, um visionário.

Assim, como Lula, Chico Mendes tem sua trajetória política marcada pela passagem, na primeira metade da década de 1980, da defesa de interesses do grupo de trabalhadores locais a que pertencia para a defesa de interesses mais abrangentes: do sindicato ao Partido dos Trabalhadores (PT). Um torneiro mecânico de Garanhuns, radicado em São Paulo, e um seringueiro de Xapuri unidos pela luta em defesa dos trabalhadores. A partir do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Lula se torna deputado constituinte pelo PT, em 1986.

Em 1985, Chico Mendes, fundador e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, cria o Conselho Nacional dos Seringueiros, selando seu destino. Com o primeiro encontro da nova entidade, realizado em Brasília, suas teses ambientalistas começam a repercutir na imprensa internacional. Obviamente, interesses contrários e forças (nada) ocultas começam a definir seu futuro.

Assassinado em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes, analfabeto até os vinte anos de idade, escreveu mais um capítulo da tragédia fundiária brasileira. Quanto vale a vida humana e quanto custa a terra?

Agenda 21, ECO 92, Protocolo de Kyoto e similares: imolaram o maior herói brasileiro do último quarto do século passado para que o Homem descobrisse que a Terra vive, em todos os sentidos.

"E quanto à pergunta que dá nome a esse artigo?" - você deve estar se perguntando. Delego ao leitor a responsabilidade de respondê-la.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O tempo e o Lula

Eu votei no Lula em 1994, quando tinha 16 anos e acreditava em mim, no Che Guevara e no John Lennon, nessa ordem. Votei de novo em 1998, quando era calouro do curso de Ciências Sociais da Universidade de Brasília e já tinha aprendido a duvidar de tudo e de todos. Em 2002, finalmente, com meu voto, a eleição de Lula: o presidente dos pobres, radicalmente oposto a FHC, o "rei-filósofo", colega que meus professores do SOL, sigla heliocêntrica usada para designar o Departamento de Sociologia da UnB, relegaram ao ostracismo acadêmico.



Lula: Presidente da República, cidadão do mundo, em essência é o mesmo de trinta anos atrás? O torneiro mecânico que se tornou sindicalista e, posteriormente, deputado federal constituinte. Ou o quase-Messias que salvaria o Brasil e, na verdade, provou que não era tão diferente de FHC, o tucano.

Lula, comunista?

Dizem que o poder corrompe. Mas, como nunca detive qualquer poder, não posso me valer, para avaliar o Presidente Lula, do ponto de vista de tucanos, DEMocratas ou antigos membros do Partido dos Trabalhadores que fundaram partidos nanicos; nem de quem, tampouco, nunca exerceu qualquer forma de poder conferido por terceiros. Assim, penso mesmo que o Lula de hoje é o mesmo Lula do começo da década de 1980, para além do alarde midiático e das imagens que as mídias constroem e descontroem de acordo com os interesses de quem as controla.

Esquecendo os discursos sobre o "comunista", desde 1989, e atendo-me somente à minha memória dos fatos, não acho mesmo que Lula seja ou tenha sido algum dia comunista em seu íntimo. É só lembrar, por exemplo, as asneiras que ele disse em seis anos de governo, quase sempre que discursa de improviso, para saber que ele não reza (mais?) a cartilha do marxismo-leninismo. Até porque a mera visão de mundo dessa cartilha, de um século atrás, não dá conta das complexidades da realidade contemporânea. Ou dá? Sei não. A menos que os marxistas-leninistas queiram conferir à literatura marxista e marxiana o mesmo estatuto que, por exemplo, os judeus dão à Torá: perfeita e imutável porque Deus é o mesmo e os judeus se submeteram ao jugo dela há milhares de anos.

Lula, oportuno ou oportunista?

Grande Lula! Dizem que ele fica injuriado quando críticos do seu governo afirmam que ele teve sorte no comando do Brasil, devido às conjunturas favoráveis, nacionais e internacionais, durante grande parte de seus dois mandatos. Agora que as "marolas" da crise internacional começam a assolar a economia real brasileira - a Vale demite e dá férias coletivas, a Petrobras toma 2 bi emprestados da Caixa e o futuro parece menos promissor -, Lula tem a oportunidade de provar que estamos enganados sobre ele: eu e aqueles críticos. Talvez um dia ele tenha sido mesmo comunista, haja vista que disse uma vez, provavelmente ao discursar no improviso, que a maturidade o afastara da esquerda. Talvez, quando comandou greves de metalúrgicos no ABC paulista, perdeu o emprego e respondeu por crime contra a Segurança Nacional, ele tenha sido comunista, sim. Talvez...



O tempo também mudou a vida de Cesare Battisti, comunista italiano julgado à revelia em seu país natal por terrorismo, acusado por sua militância política contra o Estado italiano, no seu direito legítimo de se insurgir contra a opressão e a favor das liberdades. Atentados contra o Estado brasileiro a atual Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também cometeu na Ditadura Militar, no exercício dos mesmos direitos, não é mesmo? Agora, cabe ao Ministro da Justiça e ao Presidente da República a decisão entre a extradição de Battisti à Itália fascistóide de Silvio Berlusconi ou conceder-lhe asilo político no Brasil.

Quanto a Tarso Genro, advogado, abstenho-me de emitir qualquer parecer. Mas quanto a Lula, o presidente dos pobres? Será que ele vai fazer como Getúlio Vargas, o gaúcho que entregou Olga Benario Prestes, comunista alemã e judia, a Hitler, o austríaco que transformou o extermínio de judeus em política pública da Alemanha nazista?

Heil Lula?