quarta-feira, 29 de julho de 2009
Fim do Senado Federal?
quinta-feira, 16 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Lula lá...
Only 78 percent of approval rating after the economic crisis
domingo, 8 de março de 2009
Águas de março (2)
Com 84 por cento de aprovação popular, Lula imbui-se de um toque de Midas eleitoreiro: todo aquele em que ele "tocar" vira voto. Dilma Rousseff, por exemplo. Depois da cirurgia plástica, do novo corte de cabelo e das lentes de contato, a Chefe da Casa Civil deve ser tornar a primeira presa política a ascender ao Palácio do Planalto, tornando-se Presidente em 2010. Dilma é a mãe do PAC.
Derrotada por mais uma manobra do PMDB, a senadora petista Ideli Salvatti, de Santa Catarina, juntou-se em frustração ao companheiro de partido Tião Viana, do Acre, que perdera a disputa pela Presidência do Senado para o imortal José Sarney, sempre eleito ad infinitum pelo PMDB do Amapá, ex-Presidente da República que faz política como faz literatura: só merda!
Na escolha de Collor para babá do PAC há, obviamente, outra eminência parda: Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-Presidente do Senado Federal. Apesar do frequente fogo amigo, o PMDB pertence à base aliada que garante a governabilidade no Congresso Nacional. Ou, pelo menos, algumas facções do partido pertencem, mas elas são quase sempre tão imperceptíveis a olho nu quanto tendenciosas. No Congresso brasileiro, os interesses que têm primazia são os individuais e, no máximo, os partidários, e não os nacionais.
É por isso que o Partido dos Trabalhadores teme a presença de Collor na maternidade do PAC. A Secretaria de Infraestrutura do Senado é responsável pela aprovação de todos os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento. Agora, as pretensões eleitorais de Dilma Rousseff parecem atreladas às decisões da Comissão presidida por Fernando Collor. E isso é mais assustador do que Gilmar Mendes na Presidência do Supremo Tribunal Federal.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Fio de Ariadne
Sabe-se que a nacionalização do sistema bancário e a ajuda bilionária de Estados nacionais para evitar a falência de grandes empresas engendram um interstício na agenda neoliberal. Assim, novas políticas públicas, alternativas ao neoliberalismo, podem ser promovidas se houver vontade política.
No Brasil, por exemplo, políticas de inclusão social e distribuição de renda têm diminuído a desigualdade histórica entre os mais ricos e os mais pobres. O que explica, em parte, os atuais índices de aprovação do Presidente Lula.
Na verdade, transformar em política pública qualquer demanda legítima depende, sobretudo, de vontade política. E é essa vontade política que pode garantir a sobrevivência à crise mundial. E, talvez, políticas centradas na promoção do bem-estar social representem o "fio de Ariadne" para fora desse "labirinto".
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Chico Mendes: o Lula da floresta?

No dia 9 de dezembro de 1988, duas semanas antes de ser assassinado, em entrevista ao Jornal do Brasil, Chico Mendes explicou como funcionavam os empates: "É uma forma de luta que nós encontramos para impedir o desmatamento. É forma pacífica de resistência. (...) No empate, a comunidade se organiza, sob a liderança do sindicato, e, em mutirão, se dirige à área que será desmatada pelos pecuaristas. A gente se coloca diante dos peões e jagunços, com nossas famílias, mulheres, crianças e velhos, e pedimos para eles não desmatarem e se retirarem do local. Eles, como trabalhadores, estão também com o futuro ameaçado. E esse discurso, emocionado, sempre gera resultados. Até porque quem desmata é o peão simples, indefeso e inconsciente".

Acontece que, paralelamente, com a queda drástica nos preços da borracha, a partir da década de 1960, muitos donos de seringais desistiram do negócio e começaram a vender suas terras para criadores de gado e madeireiros. Foi nesse contexto que Chico Mendes se tornou, cada vez mais, um ator político de destaque nos cenários acreano, brasileiro e internacional.
Sua luta em defesa da floresta amazônica e sua idealização de um modelo de exploração de seus recursos, centrado no extrativismo sustentável da borracha, da castanha-do-pará e da madeira - sistematização de um modus faciendi secular característico dos seringueiros acreanos -, que permitisse a permanência e a sobrevivência do homem amazônico com dignidade e qualidade de vida, redundou nas transformações sociais que propiciaram o estabelecimento das Reservas Extrativistas e do chamado Governo dos Povos da Floresta.
Chico Mendes: o Lula da floresta?
Assim, como Lula, Chico Mendes tem sua trajetória política marcada pela passagem, na primeira metade da década de 1980, da defesa de interesses do grupo de trabalhadores locais a que pertencia para a defesa de interesses mais abrangentes: do sindicato ao Partido dos Trabalhadores (PT). Um torneiro mecânico de Garanhuns, radicado em São Paulo, e um seringueiro de Xapuri unidos pela luta em defesa dos trabalhadores. A partir do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Lula se torna deputado constituinte pelo PT, em 1986.
Assassinado em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes, analfabeto até os vinte anos de idade, escreveu mais um capítulo da tragédia fundiária brasileira. Quanto vale a vida humana e quanto custa a terra?
Agenda 21, ECO 92, Protocolo de Kyoto e similares: imolaram o maior herói brasileiro do último quarto do século passado para que o Homem descobrisse que a Terra vive, em todos os sentidos.
"E quanto à pergunta que dá nome a esse artigo?" - você deve estar se perguntando. Delego ao leitor a responsabilidade de respondê-la.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
O tempo e o Lula
Lula: Presidente da República, cidadão do mundo, em essência é o mesmo de trinta anos atrás? O torneiro mecânico que se tornou sindicalista e, posteriormente, deputado federal constituinte. Ou o quase-Messias que salvaria o Brasil e, na verdade, provou que não era tão diferente de FHC, o tucano.
Lula, comunista?
Dizem que o poder corrompe. Mas, como nunca detive qualquer poder, não posso me valer, para avaliar o Presidente Lula, do ponto de vista de tucanos, DEMocratas ou antigos membros do Partido dos Trabalhadores que fundaram partidos nanicos; nem de quem, tampouco, nunca exerceu qualquer forma de poder conferido por terceiros. Assim, penso mesmo que o Lula de hoje é o mesmo Lula do começo da década de 1980, para além do alarde midiático e das imagens que as mídias constroem e descontroem de acordo com os interesses de quem as controla.
Esquecendo os discursos sobre o "comunista", desde 1989, e atendo-me somente à minha memória dos fatos, não acho mesmo que Lula seja ou tenha sido algum dia comunista em seu íntimo. É só lembrar, por exemplo, as asneiras que ele disse em seis anos de governo, quase sempre que discursa de improviso, para saber que ele não reza (mais?) a cartilha do marxismo-leninismo. Até porque a mera visão de mundo dessa cartilha, de um século atrás, não dá conta das complexidades da realidade contemporânea. Ou dá? Sei não. A menos que os marxistas-leninistas queiram conferir à literatura marxista e marxiana o mesmo estatuto que, por exemplo, os judeus dão à Torá: perfeita e imutável porque Deus é o mesmo e os judeus se submeteram ao jugo dela há milhares de anos.
Lula, oportuno ou oportunista?
Grande Lula! Dizem que ele fica injuriado quando críticos do seu governo afirmam que ele teve sorte no comando do Brasil, devido às conjunturas favoráveis, nacionais e internacionais, durante grande parte de seus dois mandatos. Agora que as "marolas" da crise internacional começam a assolar a economia real brasileira - a Vale demite e dá férias coletivas, a Petrobras toma 2 bi emprestados da Caixa e o futuro parece menos promissor -, Lula tem a oportunidade de provar que estamos enganados sobre ele: eu e aqueles críticos. Talvez um dia ele tenha sido mesmo comunista, haja vista que disse uma vez, provavelmente ao discursar no improviso, que a maturidade o afastara da esquerda. Talvez, quando comandou greves de metalúrgicos no ABC paulista, perdeu o emprego e respondeu por crime contra a Segurança Nacional, ele tenha sido comunista, sim. Talvez...
O tempo também mudou a vida de Cesare Battisti, comunista italiano julgado à revelia em seu país natal por terrorismo, acusado por sua militância política contra o Estado italiano, no seu direito legítimo de se insurgir contra a opressão e a favor das liberdades. Atentados contra o Estado brasileiro a atual Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também cometeu na Ditadura Militar, no exercício dos mesmos direitos, não é mesmo? Agora, cabe ao Ministro da Justiça e ao Presidente da República a decisão entre a extradição de Battisti à Itália fascistóide de Silvio Berlusconi ou conceder-lhe asilo político no Brasil.
Quanto a Tarso Genro, advogado, abstenho-me de emitir qualquer parecer. Mas quanto a Lula, o presidente dos pobres? Será que ele vai fazer como Getúlio Vargas, o gaúcho que entregou Olga Benario Prestes, comunista alemã e judia, a Hitler, o austríaco que transformou o extermínio de judeus em política pública da Alemanha nazista?
Heil Lula?


