sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Por que corro
segunda-feira, 21 de maio de 2012
O estrategista
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Christophe, eu sou seu pai
- Christophe, eu vou te ajudar lá na França.
- Quem tá falando? – indaguei, surpreso e confuso.
- Seu pai – o sujeito respondeu.
E desligou.
Obviamente, decidi fingir que tal ligação não havia acontecido, justamente para não precisar encarar os desdobramentos que ela engendraria. Afinal, ao mesmo tempo em que tinha certeza de que meu pai estava morto e enterrado, definitivamente aquela não era uma ligação do além. Começava, então, a me questionar se o motivo de eu ter sempre me sentido preterido como filho se devia ao fato de ser um bastardo. Naquele momento, pouco ou nada importavam nossas semelhanças fenotípicas.
Fingir que aquilo não havia acontecido não resolveu muita coisa, principalmente quando o telefone tocou e, pela segunda vez, escutei a voz que acostumaria a ouvir nos anos seguintes.
Acabamos estabelecendo uma camaradagem e uma proximidade que nunca tinha vivenciado com meu próprio pai. Numa ocasião, ele mencionou uma visita à casa em que morava minha família, em Brasília, descrevendo-a com minúcia. Foi quando me assustei com tudo aquilo verdadeiramente pela primeira vez.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Fim
domingo, 12 de dezembro de 2010
A epidemia do crack e a legalização da maconha
No Brasil, crack e maconha são substâncias ilegais, cujo consumo é punido com penas leves, como advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à sociedade e medida educativa de comparecimento a programas ou curso educativo, segundo a Lei 11.343, de 23 de agosto de 2006.
À luz da dureza da Lei, crack e maconha podem até ser tratados como coisas semelhantes, mas há mais rupturas do que paralelismo entre essas substâncias. A epidemia do crack em curso no Brasil tem demonstrado as limitações de políticas de segurança pública para seu enfrentamento. Na esfera federal, governo e oposição propugnam a necessidade de aliar medidas de saúde pública ao policiamento ostensivo, para coibir o consumo do crack, e à investigação policial, para tirar de circulação os traficantes. E nada.
Em Brasília, as cracolândias, até pouco tempo restritas à Rodoviária, ao Setor Comercial Sul e ao Setor de Diversões Norte, pululam pelas quadras residenciais do Plano Piloto, aterrorizando a burguesia endinheirada da "ilha da fantasia".
Arte: Joelson Miranda/CB/D.AÀ medida que a epidemia do crack se intensifica, espalha-se pelas superquadras e comerciais do Plano Piloto gente que, do ponto de vista "nativo", não tem lugar social para vender e consumir a droga em sua vizinhança.
Afirmar que a repressão policial ao crack na área central de Brasília contribuiu para que traficantes e usuários tomassem diversas quadras do Plano Piloto, ou que a percepção do recrudescimento do consumo apenas confirma se tratar de uma epidemia, parece pretensão demais para um texto de blog, e muito mais apropriado para uma investigação acadêmica. Assim sendo, valho-me da constatação inequívoca da escalada do crack para questionar se não seria um momento apropriado para a legalização da maconha.
A maconha, tal qual o álcool e o tabaco, é substância que causa dependência, e seu consumo deve ser tratado como questão de saúde pública. Hoje, quem consome maconha, precisa de um traficante, ou planta sua própria erva. E, plantando, torna-se traficante. Ou seja, para não correr o risco de ser enquadrado como traficante, o usuário de maconha compra um produto de qualidade duvidosa, muitas vezes com vestígios de crack e merla, subprodutos fumáveis da cocaína.
Assim como a cocaína, na década de 1980, promoveu mudanças radicais nos padrões de criminalidade urbana brasileira, com o fortalecimento do crime organizado, atrelado à globalização do crime (vide o surgimento do Comando Vermelho, no Rio), o avanço do crack, a partir de São Paulo, tem relação direta com o poderio do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Comparativamente, o contexto da proibição da maconha é bem diferente daquele em que se assiste à epidemia do crack, e já foi longamente esmiuçado aqui. Enquanto o crack está intimamente ligado à violência e à criminalidade, a maconha só está associada à violência no discurso de idiotas como Bo Mathiasen, representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) para o Brasil e o Cone Sul.
No Brasil, Fernando Gabeira, deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro, e Carlos Minc, deputado estadual, defendem a legalização da maconha. Até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende a legalização da erva. Depois da sua saída da presidência, claro, bom tucano que é.
Legalizem a maconha. Cobrem impostos exorbitantes. Proíbam sua venda a menores de 18 anos, tal qual o álcool e o tabaco. Sejamos mais felizes e menos hipócritas.
Links interessantes
O contrassenso da Marcha da Maconha - 30.04.2009
Marcha da Maconha em Brasília - 11.05.2009
Marcha da Maconha - 12.05.2009
Bo Mathiasen é um imbecil - 25.02.2010
O caos no Rio e a demonização do usuário - 26.11.2010

