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sábado, 4 de abril de 2009

Da poesia hiperbólica aos poemas avulsos

Ao longo de quase dez anos, dediquei-me à produção e à seleção de poemas que julgava suficientemente bons para integrarem meu primeiro livro a publicar: Poesia hiperbólica. Muitos poemas que escrevi a partir de 1997 ficaram de fora, graças a esse darwinismo lírico que censura a própria obra, poupando o leitor...

Tentei produzir um bom livro de estreia. Convidei uma das pessoas mais brilhantes que conheço, Luisa Günther, para ilustrá-lo. Maria Rosa, minha mulher, ocupou-se da revisão, e tentamos privar o leitor de erros crassos. Waldemar Euzébio Pereira, poeta mineiro, pai dos meus amigos de infância André e Gabriela, foi o responsável pela apresentação da obra, proporcionando-me uma alegria ímpar, que espero ter instigado o leitor.

Editar aos trinta anos um livro de poemas escritos entre a adolescência tardia e a formatura em Ciências Sociais preservou muitos poemas avulsos, nascidos a partir de 2004. Se, ao selecionar minha poesia hiperbólica entre meus primeiros poemas, optei por preservar o leitor de tudo que vomito, não haveria de ser diferente para o segundo livro.

Afinal, o mesmo esmero que permitiu a edição da minha poesia hiperbólica deve nortear a seleção desses poemas avulsos. Em breve, as boas surpresas serão muitas, leitores.

domingo, 15 de março de 2009

Águas de março (4)

Há algum tempo, o sítio da Academia Brasileira de Letras se tornou destino obrigatório em meus périplos internéticos. Não apenas pelos textos de imortais mas, sobretudo, pelo sistema de busca do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

Na última semana, despertei para o fato de que poderia me valer de outra facilidade, o "ABL Responde", na tentativa de encaminhar meu poema Setembro ao imortal Lêdo Ivo, alagoano de cuja poesia sou admirador profundo. Na pior das hipóteses, quedar-se-ia meu poema digitado no espaço destinado a uma pergunta, por ser uma não-pergunta. Trata-se de uma confissão na extremunção do poeta. Esse cara esquisito que tem um prazer prometéico em sofrer, ou fingir que sofre. Afinal, otimismo é para os fracos.

Ontem à noite, sábado, fiquei mais surpreso que os italianos depois da concessão de asilo político a Cesare Battisti, ao receber uma resposta para minha não-pergunta. A mensagem eletrônica sugeria, cordialmente, que encaminhasse meu poema para um determinado endereço, que descobri se tratar do e-mail do Lexicógrafo-Chefe da ABL. Graças ao Google.

Humildemente, enviei uma mensagem a ele com meu poema. Nada mais teleológico que a poesia...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A identidade e a poesia: uma digressão modernista?

Aprendi a respeitar o inusitado. Há pouco mais de dois meses, dia de concurso público, me deparei com uma identidade funcional perdida nas proximidades da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília. Não tive dúvidas: decidi resguardá-la. A princípio, pensei em entregá-la a meu cunhado, aluno de Elétrica; mas a identidade acabou esquecida no porta-luvas do carro, desde 23 de novembro.

No domingo passado, a uma semana do dia mais importante da minha vida, minha tentativa tardia de localizar o professor que perdera sua identidade funcional deu certo. Agradeçamos ao Google. No e-mail do professor, li: "agradeço pela sua atenção, rara nos dias de hoje".

Ontem a identidade foi devolvida. O professor e eu moramos no mesmo bairro da Cidade Modernista. Na caixa de correio dele, além da identidade, um livro de poesia, com a seguinte dedicatória: "Bem que meu editor disse que o poeta é um sujeito diferente."

Nada mais teleológico do que o inusitado, pelo menos na minha vida. Afinal, eu sou o cara que editou 500 livros e não lançou a obra. Nem está preocupado em fazê-lo.