sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Por que corro


Se alguém pergunta por que eu corro, respondo: pela inconstância. Correr subverte a noção de espaço-tempo. Encurta as distâncias. Aproxima as pessoas e os lugares.

Correr é mudar de estado. Algumas verdades se liquefazem. Escorrem. E algumas certezas se dissipam com o atrito entre meu corpo e o resto das forças que sustentam o Universo.

Ao começar a correr, sinto logo meus órgãos se reposicionando, ajustando-se, qualquer que seja meu pace inicial. É quando a máquina começa a reagir...

Não preciso conhecer meus músculos pelos respectivos nomes para senti-los. Não preciso saber que tecidos compõem minhas articulações para ouvi-las em ação. Não preciso de muito: só de mim mesmo.

Quando corro, sei que minha alma também verte uma espécie de choro ancestral, inspirado em registros proteicos de antigas cadeias helicoidais que chegaram até aqui. Um legado milenar: correr é fugir; fugir é não morrer, macaco!

E essa certeza líquida me permite sentir que, enquanto mais chão fica para trás, meu corpo continua vivo.

Isso me basta...

Um comentário:

Bea disse...

meu deus....tu sente tudo isso qdo corre é? eu só penso naquilo....qdo vai acabar, hahahaha