segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Mais sorte em 2010

Aqui não é a Suíça

Foto: Christophe Scianni

José Serra é um imbecil. Todo mundo sabe. Basta se lembrar do comentário dele sobre a gripe suína (H1N1), quando recomendou a jornalistas que evitar o vírus era simples: bastava ficar longe dos "porquinhos".

Pergunte sobre o Serra aos "paulistas" do Jardim Pantanal, aquele bairro que ficou 15 dias consecutivos embaixo d'água na Zona Leste paulistana; fazendo jus à escolha do nome da localidade.

Depois de sua experiência no Ministério da Saúde de FHC, Serra teve que se contentar com a Prefeitura Municipal de São Paulo, a Torre de Babel. Dois anos depois, elegeu-se Governador. Deixou na Prefeitura seu cupincha Gilberto Kassab (DEM).

Paulistas elegem Serra e Kassab da mesma forma que brasilienses elegem Roriz e Arruda. Há muito mais imbecis que pessoas de bom senso.

É, considerando-se que aqui não é a Suíça, talvez Dilma Rousseff tenha até sorte em 2010.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

1ª Conferência Nacional da Comunicação

Hoje é dia de treinar a observação participante na 1ª Confecom. A questão é: levo ou não minha mini-DV?

domingo, 6 de dezembro de 2009

O "A" da questão

Sou eleitor há quinze anos, desde que votei nas eleições de 94, quando elegemos Cristovam Buarque governador do Distrito Federal. A eleição do companheiro Lula só aconteceria oito anos depois, após dois mandatos do presidente FHC, a personificação do rei-filósofo de Platão.

Se Lula é filho do Brasil, FHC é filho das elites paulistanas, gente comprometida com a manutenção do status quo e, também, responsável pelo Brasil como conhecemos.

E o governador Arruda, é filho de quê?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Heil Lula?

Nesse instante, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, acaba de proferir a decisão do colegiado da Corte Suprema pela extradição de Cesare Battisti, por 5 votos a quatro. Foi de Mendes o "voto de minerva", já que dois (de 11) ministros se abstiveram da votação.

Depois, invertendo-se a corrente, a tese da discricionariedade (mérito de conveniência e oportunidade) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se decidir pela extradição venceu por 5 a 4. Em termos práticos, agora cabe ao Presidente da República entregar Battisti, como uma presa fácil, à Itália fascistóide de Berlusconi, um quasi híbrido do ACM com o Roberto Marinho, à italiana.

Heil Lula?

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

I Concurso Gran Tube - Vida de Concurseiro

Esse filme foi gravado e editado em menos de 24 horas, nos dias 30 e 31 de agosto de 2009. Trata-se de uma peça produzida para concorrer ao I Concurso Gran Tube, organizado pelo Gran Cursos, preparatório para concursos de Brasília.

Divirta-se!

sábado, 22 de agosto de 2009

O Brasil é um país surreal

O jurista Dalmo Dallari acusa Gilmar Mendes de ter criado um "surrealismo jurídico", referindo-se às peripécias procrastinatórias do Presidente do Supremo Tribunal Federal no que concerne a Cesare Battisti. Não se precisa de toga nem de "capangas no Mato Grosso" (Ministro Joaquim Barbosa) para concluir que o Brasil é um país surreal.

Em 1985, aos sete anos, quando morava na Rua Paulo Brandão, em Belo Horizonte, enterrei o Presidente Tancredo Neves, que seu vice Sarney mandara matar no Hospital de Base, em Brasília. E nunca esqueci as "malufetes"...

Em 89, com 11, era suficientemente maduro para acompanhar o processo eleitoral; enquanto minha mãe, servidora do TRE-MG, fazia títulos de eleitor sem parar na Praça Sete. Mais inteligente que a média porque lia mais que a média, acompanhava a campanha na televisão com o fascínio de quem passaria 12 anos trabalhando com esse "convite de aranha, de sereia" (MMMG).

Alguém que, àquela época, já era vivo e esperto o suficiente para se dar conta do mundo a seu redor não pode conceber o cenário político atual, senão sob efeito de LSD. Lula defende Sarney, seu cão de guarda e ataque é Collor, e sua guarda pessoal tem Renan Calheiros, Romero Jucá e Gim Argello, os três mosqueteiros "do mal" (W. Bush).

Sarney resiste na Presidência do Senado Federal e do Congresso Nacional, "com a força inquebrantável daqueles que têm fé" (MMMG), enquanto é massacrado pelos meios de comunicação, com a divulgação de escândalos sucessivos, há meses. Collor, "babá do PAC", dá medo só de olhar. Quando fala difícil, ambiciona-se membro da ABL; que nem Sarney, seu antecessor na Presidência da República.

O personagem Lula se tornou maior que o político. Agora, o personagem engole o homem.

Marina Silva no PV. O PSDB agradece. Resta saber quem será o Cavaleiro do Apocalipse. Eu aposto em José Serra.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Cruzeiro, Cruzeiro querido (3)

Foto: Maurício Val (VIPCOMM)

No último dia 10 de maio, Cruzeiro e Flamengo se enfrentavam no Mineirão. Campeão estadual invicto em 2009, o primeiro desafio do time mineiro no Campeonato Brasileiro era o campeão carioca; ambos favoritos ao título.

Depois da vitória do Cruzeiro no Mineirão por 2 x 0, provoquei os flamenguistas (fregueses) no blog, já pensando no returno e desafiando o dito "Imperador do Rio": o atacante Adriano, que ainda não tinha estreado.

Ontem, em campo, depois de 18 rodadas, na estreia do returno, foi como se Adriano não estivesse lá.

E o Cruzeiro bateu o Flamengo por 2 x 1, de virada. No Maracanã. É a volta da Raposa!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pela ordem, Presidente

Senador é submetido à inspeção por detector de metais antes de entrar no Plenário do Senado Federal?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Socialism

Photo: Tim Stewart

It seems not all Americans take in the joke...

Happy birthday, Mr President. Happy birthday to you.


De Collor para Simon

"Esta Casa não pode e não haverá de se agachar ao interesse da mídia, que deblatera, como o senhor deblatera, parlapatão que é. Ela não conseguirá retirar o presidente Sarney desta cadeira", esbravejou o senador Fernando Collor de Mello, bufando, contra o colega Pedro Simon.

É a "tropa de choque" do Presidente da Casa, Don José Sarney, chefe da famiglia. Em ação, fazendo cara de probo e falando difícil, Collor até parece que não é o único Presidente da República cassado por impeachment.

Mais uma piada do Senado Federal.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Dilma é 13!

Dilma Rousseff e Michelle Barchelet, Presidente do Chile

Dilma Rousseff está cada vez mais presidenciável. Eu voto nela.

BH, POLOP e VPR na Presidência!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Fim do Senado Federal?

"O Senado tem maioridade para resolver o seu problema". Foi o que disse ontem o Presidente Lula, na Paraíba. E não defendeu Sarney.

Se não fosse a desmobilização popular, herança da ditadura à brasileira, o Senado Federal já tinha sido fechado. Mas, como o eleitor brasileiro vota em políticos que refletem sua moral e seu caráter, o respaldo dos cidadãos que não se importam e apenas votam - os analfabetos políticos - perpetua e legitima o sinistro jogo político brasileiro.

Democracia? Sim, obrigado. Mas obrigatoriedade do voto não rima com democracia consolidada. Não vejo outra saída para livrar o país de políticos como Sarney e afins que não o fim do voto obrigatório...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A um aceno da cabeça

José Sarney, Presidente do Senado Federal, soçobra. No âmbito de investigações levadas a cabo pela Polícia Federal, sua neta Maria Beatriz Sarney aparece em negociata escusa com o pai, Fernando Sarney, investigado pela PF, em conversas grampeadas com autorização judicial. É 1º de abril de 2008: Bia quer a nomeação do namorado, Henrique Dias Bernardes, a cargo comissionado na casa (que nem era à época) presidida pelo Vovô Sarney, na "vaga que era do irmão".

Tempestade em copo d'água, claro, já que se trata de cargo de livre nomeação e exoneração (ad nutum). Mas a dimensão simbólica de mais esse "ato secreto" torna ainda mais canhestra e insustentável a situação do Presidente do Senado. O critério efetivo para essa nomeação é indiscutível: namorar a neta de Don Sarney, o chefe da famiglia. Que mal há nisso?

Se o clã Sarney consegue transformar dinheiro em votos no Amapá e no Maranhão há décadas, por que não haveriam eles de lidar, também, com a coisa pública como se privada fosse? E o que se faz na privada é julgamento de conveniência e oportunidade de cada um, ora bolas.

Nem Sêneca livra mais José Sarney da renúncia à Presidência do Senado Federal. E se o Conselho de Ética não fosse uma piada tão bisonha quanto o Poder Legislativo em si, Sarney teria que renunciar ao mandato, ou então ser processado e, no mínimo, cassado por quebra de decoro parlamentar.

A um aceno da cabeça, Sarney cai...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

E agora, José?

José Sarney agoniza. Lula Lelé, esquizofrenicamente, primeiro defende o resultado das eleições "democráticas" no Irã; enquanto o presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad assiste, bem como o resto do mundo, a assassinatos de manifestantes nas ruas de Teerã.

Depois, Lula defende Sarney, o Presidente do Senado Federal, aquele dos atos secretos. Mas a publicidade é um dos princípios do ato administrativo, requisito e condição sine qua non para eficácia. Se não há publicidade, deve-se anular o ato administrativo. Sarney diz que não existem atos secretos, atos que não foram publicados. Lula diz que Sarney não é um qualquer, como eu ou você, leitor.

Sarney é aquele do ato secreto para nomear o namorado da neta. E de centenas de atos administrativos secretos, realizados em conluio com outros de sua estirpe. O povo gosta, todo mundo sabe. Quem não gosta é a imprensa, que confunde opinião pública (que não existe) com opinião publicada (aquela que só existe se rende pauta e vende). Entre o eleitor brasileiro e o jornalismo brasileiro, qual é mais inapto e inepto?

Duas semanas mais tarde, ao inaugurar obra em Alagoas, o Presidente Lula elogia Renan Calheiros e Fernando Collor: a "babá" do PAC, ex-Presidente da República cassado por impeachment. Incontinência verbal, eu sei. Todo mundo sabe.

Tem gente que ainda defende o Lula, claro. O Gim Argello, por exemplo. E agora, José?

Ontem à noite, no Mineirão, o acaso provou que o futebol é tão hobbesiano quanto a política brasileira, o mundo dos concursos públicos e a obrigatoriedade do voto.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cataguases

Tenho leitores em Cataguases!

domingo, 5 de julho de 2009

A participação feminina na esfera pública - Dissertação argumentativa em prosa - SPM-PR

No Brasil, a inclusão das mulheres na esfera pública a partir do século XX reflete conquistas do movimento feminista e de organizações da sociedade civil. Ampliou-se a participação feminina não apenas na esfera pública, mas também no jogo político. Assim, as mulheres têm se tornado atores políticos cada vez mais importantes.

Sabe-se que conquistas como o voto universal, que conferiu às mulheres o direito cidadão de votar e ser votada, diminuíram as profundas desigualdades de gênero. No entanto, a parca representação feminina na política ainda reflete preconceitos arraigados na sociedade brasileira; a despeito do arcabouço legal que garante a igualdade entre homens e mulheres. Percebe-se que a mera existência de leis não é capaz de alterar significativamente o tecido social.

A elaboração de políticas públicas de ação afirmativa e leis específicas é um caminho viável para se garantir uma participação feminina mais efetiva na política. Ao se estabelecer em lei, por exemplo, limites máximos e mínimos para candidatos de cada sexo, 70 e 30 por cento respectivamente, assegura-se uma maior participação feminina. Para tanto, são necessárias ações coordenadas em todas as esferas de Governo.

A ampliação da participação feminina na esfera pública e no jogo político são conquistas a que se deve somar o respeito a todos os direitos adquiridos, sem qualquer distinção. Ao se garantir às mulheres o pleno exercício da cidadania e a participação efetiva na esfera pública e na política, garante-se, por conseguinte, a diminuição da desigualdade de gênero. Assim, constrói-se um Brasil mais justo.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Poesia übber alles

O que pode ser mais poético que 28769 candidatos disputando 21 vagas para "carimbador maluco" do TCU?

Talvez a demanda de 1369,95 candidatos por vaga...

Cruzeiro detona mais um tricolor

Depois de eliminar o São Paulo da Libertadores e, por conseguinte, decretar o fim da era Muricy Ramalho no tricolor do Morumbi, ontem foi a vez do Grêmio.

Impressionante a torcida gaudéria, que não parou de cantar nem depois de levar dois gols seguidos em três minutos, ainda no primeiro tempo. No segundo o tricolor empatou, mas não levou.

Outro ponto alto foi a torcida gremista imitando macaco, quando Adilson Batista decidiu colocar Elicarlos para jogar, reiterando e corroborando o racismo evidenciado pelo argentino (de mierda) Maxi López na partida do Mineirão; que terminou em 3 x 1 pro Cruzeiro.

Fez-se justiça. O Cruzeiro na final da Libertadores é o Brasil contra a Argentina!

Até semana que vem.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Real: 15 anos

Há 15 anos, criou-se no Brasil o Real. Dia 1º de julho de 1994 foi o dia da festa junina do Centro Educacional Setor Oeste, em Brasília, em que fingia que estudava à época.

Entrei em coma alcóolico na festa junina do CESO, depois de dois litros de batida feita por mim com cachaça "Chora Rita". Coisa de menino: tinha 16 anos.

Pelo que consta, no final da festa, acabei carregado pelo pai de um colega de sala pra casa deles; e a mãe do cara ainda me deu banho.

Que acabação!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Meu pecado

Flávio Schettini é meu parceiro em três composições. "Meu pecado" é a mais recente delas.

Há uma semana, a gente resolveu registrá-la com dois notebooks, quatro celulares e uma câmera digital. Como ninguém tem um software de edição nem tempo para editar o material, resolvi publicar o bruto mesmo.


Google Analytics e Michael Jackson

Quando tenho disponibilidade, verifico o Google Analytics diariamente. Mesmo que meu negócio na Internet não seja mercadológico, presto atenção à origem do visitante e sobretudo às palavras-chave que digitam no Google, e o mecanismo do site de busca direciona a Outro Náufrago da Utopia.

Ontem passei parte da manhã e, também, da tarde tentando garantir uma vaga no Serviço Público. Enquanto eu pensava e preenchia bolinhas, provavelmente, alguém digitou isto no Google, como verifiquei agora há pouco:

"a imagem da eutopiça morte de michael jackson".

Tudo bem, na sexta teve um "maicon jackson" - que pode explicar por quê há um Maicon e uma Maicon na Seleção Brasileira masculina e feminina, respectivamente.

Mas frase "a imagem da eutopiça morte de michael jackson" me fez pensar. O que essa pessoa quis dizer com "eutopiça"?

Alguém tem um palpite?

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Michael Jackson morreu!

Estes versos do rastaman Gilberto Gil, a partir de um muro pichado, tornam-se cada vez mais reflexivos.

"Bob Marley morreu
Porque além de negro era judeu
Michael Jackson ainda resiste
Porque além de branco ficou triste" - Gilberto Gil

It is a good day to die, Michael...

Argentinos...

Tem brasileiro que ama Buenos Aires, principalmente quando o câmbio favorece viagens à Argentina. Eu reduzo a Argentina e os argentinos a Che Guevara, o menos argentino dos "hermanos".

Afinal, não é de hoje que todo mundo sabe que, para argentino, brasileiro é "macaquito". E ponto final.

Um dia, na Praça Benedito Calixto, em São Paulo, conheci uns argentinos que faziam Mestrado em Medicina. Um deles disse que argentinos odiavam amar brasileiros e brasileiros amavam odiar argentinos.

Motivos para odiar os argentinos é o que não falta. A prova mais recente foi o comentário do jogador argentino Maxi López, do Grêmio, ao perder para o Cruzeiro no Mineirão, ontem à noite, pela Libertadores.

Adivinha de que o argentino chamou o jogador Elicarlos, negro. Chamou de "macaco", claro; como era de se esperar de um argentino. Acho que a defesa do jogador, ao ser interrogado por Delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, fundamentada em uma suposta limitação dele com o português, inviabiliza-se etimologicamente. Afinal, sabe o que significa macaco em espanhol? Macaco, ora bolas. Ou "mono", como alegado.

E agora, por que não colocaram esse argentino na cadeia? Racismo no Brasil não é inafiançável?

Maxi Lopes, vai tomar no cu! De preferência numa cela com presidiários cruzeirenses afrodescendentes.

Para quem quiser, um artigo do argentino Clarín.

10:00 Maxi López estuvo demorado por un comentario racista

"Me llamó macaco", denunció Elicarlos, jugador del Cruzeiro, tras la victoria de anoche sobre Gremio por 3-1 en el partido de ida por las semifinales de la Copa Libertadores. El ex River declaró y recuperó la libertad.

El delantero argentino de Gremio, "Maxi" López, fue demorado en una comisaría, y luego recuperó su libertad tras declarar, acusado de "agresión verbal de corte racista" por el jugador Elicarlos en el partido que Cruzeiro le ganó anoche por 3 a 1 al conjunto de Belo Horizonte por la primera semifinal de la Copa Libertadores de América.

"Maxi López me llamó macaco", declaró Elicarlos tras la victoria de Cruzeiro en Belo Horizonte, y luego denunció el hecho ante la policía, según publicó hoy el diario Lancenet. El presidente de Cruzeiro, Zezé Parrella, salió en defensa de su jugador y dijo que el argentino debería ir preso.

Durante el partido, Elicarlos, que es negro, y López, ex jugador de River, Barcelona, Mallorca y FC Moscú tuvieron una fuerte discusión en el campo de juego durante la primera mitad del encuentro jugado en el estadio Mineirao, con otros jugadores del Cruzeiro participando en el incidente. Este hecho no fue atendido por el árbitro, que siguió el encuentro que en ese momento se desarrollaba en la mitad del campo.

La televisión brasileña mostró más tarde imágenes de López, del entrenador de Gremio, Paulo Autuori, y de otros jugadores del equipo abandonando el micro que los transportaba para ir a declarar en una dependencia policial que está dentro del estadio, antes de retirarse a su hotel.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Gilmar Mendes dá uma dentro

Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal, comparou ontem a profissão de jornalista a de cozinheiro. "Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área. O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até à saúde e à vida dos consumidores".

"Quando uma noticia não é verídica, ela não será evitada pela exigência de que os jornalistas frequentem um curso de formação. É diferente de um motorista que coloca em risco a coletividade. A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia. Nesse sentido, por não implicar tais riscos, não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão", disse.

Trocando em miúdos, o STF acabou com a obrigatoriedade da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. É o fim dos "urubus de diploma": coitados dos analfabetos estruturais formados no IESB...

O fim de Sarney

Foto: Christophe Scianni

José Sarney já foi Presidente da República. Antes, tinha sido Governador do Maranhão, na Ditadura Militar. Governador biônico, indicado por ditadores. Por isso, tem as mãos sujas com o sangue daqueles que foram executados pelo regime de exceção; do qual foi colaborador.

Eleito senador pelo Estado do Amapá ad infinitum, graças ao poder econômico e, sobretudo, ao analfabetismo político, Sarney foi alçado pela terceira vez à Presidência do Senado, em mais uma negociata escusa: artifício típico da politicagem à brasileira.

Qualquer imbecil que tenha assistido a telejornais nos últimos meses já deveria ter antevisto o fim da carreira política do atual Presidente do Senado.

O maior idiota de todos a defender os crimes praticados, no mínimo, com a conivência de Sarney é o Presidente Lula, o piadista. Depois de defender a reeleição "democrática" de Mahmoud Ahmadinejad, posicionando-se contrariamente ao povo oprimido do Irã, que votou em Mir Hussein Musavi, e agora se torna alvo de disparos de AK-47 em Teerã, Lula parte em defesa de Sarney.

"Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias porque ele não tem fim e depois não acontece nada", afirmou o Presidente Lula em entrevista à BBC, no Cazaquistão. Para Lula, Sarney "tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum".

Metalúrgico e dirigente sindical perseguido pela Ditadura Militar por lutar pelo direito de greve no ABC paulista, Lula defendia a democracia, e subiu em palanques pelas Diretas Já, no começo da década de 1980. Fernando Henrique Cardoso, a personificação do rei-filósofo de Platão, também. Hoje, parece que Lula, assim como o fez FHC, deveria pedir que esqueçamos o que ele disse.

Diante da verdade efetiva dos fatos, só posso defender o fim do voto obrigatório. Mas, como não há vontade política para que o poder legiferante acabe com essa babaquice, que permite a eleição de crápulas como os três aqui nominados, só nos resta defender o voto nulo.

Vote nulo: não mande seu lixo para Brasília!




Arte: Jorge Barretto (in memorian)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A mosca de Obama

Ontem, em entrevista concedida à emissora CNBC, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mostrou que sabe mesmo explorar sua imagem. Matou, ao vivo, uma mosca persistente que o atormentava, e pediu ao cinegrafista que registrasse o cadáver do inseto, que jazia no carpete.

Agora só falta fechar a base militar de Guantánamo, em Cuba; retirar as tropas do Iraque; recrudescer a guerra contra o terror no Afeganistão, localizar Osama bin Laden no Paquistão (ou não); proteger a Coreia do Sul de seu vizinho do Norte, comunista; e persuadir o Governo de Israel a aceitar a criação de um Estado Palestino. Sem falar nos problemas domésticos advindos da crise econômica e financeira criada na Era Bush, herdados por Obama.

É, Gafanhoto, considerando-se seus desafios, matar uma mosca ao vivo e de primeira, como se diz, é "peixe pequeno"...


segunda-feira, 15 de junho de 2009

Vila Rica









Fotos: Marcelo Grossi

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Seminare semen

Gosto do Drummond. Memórias antigas atestam minha admiração pelo maior poeta mineiro, que remonta à década de 80. Lembro de uma crônica do Drummond, publicada em um volume da série Para Gostar de Ler, da Editora Ática, que li quando tinha 9 ou 10 anos, que falava sobre sua espera pelo jornal, que chegava a Itabira invariavelmente atrasado, vindo do Rio.

Gosto do Drummond com aquela cumplicidade que caracteriza a parentela, sobretudo a que não é consaguínea: eufórica mas comedida. Meu irmão Davi Drummond, o amado, corrobora meu discurso. Se não corre em minhas veias o sangue dos Ond'Alta, a herança que me foi legada por meu primeiro pai cultural, o pianista Waldir Ferreira Drummond, nada teve de indelével.

Gosto do Drummond com aquela inveja cosmogônica que, para além de estabelecer campos de possibilidades que determinam o real, carateriza a admiração de quem contempla alguém tremendamente maior e melhor, tanto em experiência quanto em técnica. A gente, a vida inteira, aprende com os outros...

Gosto do Drummond, e memórias de inspiração drummondiana estão no cerne do que eu sou e do que serei. Tem uma poesia em que ele, ao se lembrar de sua infância na fazenda de seu pai, refere-se a Robinson Crusoé. E o poeta pondera, com seu lirismo à mineira - se não era minério de ferro, era aço -, que sua história era mais bonita que a de Crusoé.

Gosto do Drummond, e o Dia dos Namorados também evoca inspirações drummondianas. A imprensa divulga , hoje, que se casaram italianos na sacada onde Romeu e Julieta juraram amor eterno. E, agora, desperto para o fato de que minha história de amor com a Maria Rosa é muito mais bonita que a de Romeu e Julieta...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

São Paulo versus Telefônica

Paulistas, paulistanos e afins, é chegada a hora de sair da Sibéria.

Troquem a "Telemierda" pela NET, ou continuem no caos: sem sinal nem Internet.

Afinal, vocês merecem...

PS - Alguém aí quer o telefone da Assessoria de Imprensa da ANATEL?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Alteração semântica


Talvez ninguém tenha percebido, mas houve uma alteração semântica em minha descrição no Auto-retrato. Substituí "infelizmente" por "FELIZMENTE", graças a mais uma intervenção da minha mãe, que fez umas ponderações justas, como de costume, dessa vez para tentar incutir em mim a noção de que deveria ficar feliz por ter tempo livre e poder dedicá-lo à aprovação em concursos públicos.

Ela tinha razão. E eu concordei com a justa alteração semântica...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

100ª postagem

Depois de pouco mais de dois anos, a 100ª postagem n'Outro Náufrago da Utopia. Recorri, então, ao Baú do Grossi para uma bem-vinda retrospectiva.

Em fevereiro de 2007, imediatamente depois de ter lido o livro Náufrago da Utopia, do jornalista Celso Lungaretti, ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), segui a recomendação da minha mulher e desapropriei um espaço virtual para canalizar minha loucura. Começamos com uma homenagem a Eremias Delizoicov, também militante da VPR, assassinado pela Ditadura Militar aos 18 anos, com 35 tiros.

Algumas poesias do Drummond. Algumas minhas. E muita catarse, principalmente a partir de novembro do ano passado, quando as postagens se tornaram cada vez mais frequentes.

Foram 13 postagens em 2007; 18 em 2008. Já há 61 postagens em 2009. Essa é a 62ª nesse ano. Faça as contas. 13 + 18 + 62 = 93. Como é que essa pode ser a 100ª postagem?

Eu não sei. Mas é isto que diz o Painel:

100 postagens, última publicação em 03/06/2009

Vai entender...

Quando quiser, leitor, recorra, também, ao Baú do Grossi. Como diz meu amigo Strep, é "di grátis"...

terça-feira, 2 de junho de 2009

O último voo para Paris

Com o novo acordo ortográfico, em vigor desde 1º de janeiro de 2009, pensava que não haveria catástrofe maior do que escrever "voo", sem acento circunflexo.

Mas ontem de manhã, depois de nadar 2000 metros, voltei para casa e fui surpreendido pela notícia do desaparecimento do voo 447, da Air France, do Rio a Paris. Maldito torcicolo cultural, eu poderia ter pensado. A França e a Europa que se fodam, junto com todos que lá estão ou estiveram...

Afinal, minha inspiração hobbesiana insiste em perceber o voo como coisa de ave. E contingências materiais não permitem, de jeito nenhum, que eu faça uma viagem de avião para além de Beagá.

Eu que não quero saber nem de franceses nem de europeus, ou de brasileiros que sofrem de torcicolo cultural.

Viva Ariano Suassuna!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Parahyba

Sim ou não?

terça-feira, 12 de maio de 2009

Marcha da Maconha

Leia este artigo em inglês, publicado no The Wall Street Journal, assinado pelos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, César Gaviria e Ernesto Zedillo:

A guerra contra as drogas é um erro



Foto: Sinclair Maia

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Marcha da Maconha em Brasília

Foto: Sinclair Maia

No dia 9 de maio de 2009, realizou-se em Brasília a Marcha da Maconha. Apesar do contrassenso, do ponto de vista semântico, de se marchar em defesa da maconha - já que marchar não é coisa de doidão -, centenas de cidadãos se reuniram na Catedral Metropolitana de Brasília. Tudo sob a proteção da Polícia Militar do Distrito Federal, que assistiu ao movimento e, ainda, parou o trânsito da Esplanada dos Ministérios, destinando duas faixas aos maconheiros e afins.

Foto: Sinclair Maia

Ei, Polícia, maconha é uma delícia

Entre as frases de efeito gritadas pelos manifestantes, algumas se dirigiam aos agentes do Estado. No entanto, as melhores frases de efeito na Marcha da Maconha foram proferidas no Rio de Janeiro, pelo Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. “Hoje a guerra das drogas mata mais do que a overdose. Só a hipocrisia não vê isso. Não é porque eu sou ministro que ia deixar de fazer o que eu acredito. Grande parte da violência que nós sofremos é por causa do tráfico. Usuário não pode ser tratado como criminoso”, disse Minc.

Depois que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (THC) quase defendeu a maconha, eis que, para surpresa geral, descobrimos um "ministro do dedo amarelo". E dedo-duro. Afinal, Minc disse que outros seis Ministros de Estado do Governo Lula também defendem a erva.

Minc, bote um!

Foto: Sinclair Maia

domingo, 10 de maio de 2009

Cruzeiro, Cruzeiro querido (2)

Pobre Mengão, apesar de alegar ser penta, só ganha campeonato carioca; e há quantos anos mesmo?

Será que a onda do Adriano dura até o segundo turno do Brasileirão? Se sim, vamos dar outro sacode no Rei do Rio (Flamengo), com o Imperador do Rio (Adriano); que é o que vende, hoje, o site do Flamengo.

Dá-lhe, Zeiro!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O emprego mais idiota do mundo

Minha intolerância dificulta todas as relações sociais que estabeleço. Mesmo admitindo que "todos têm suas próprias razões", como cantava Renato Russo, quando se constata que a intolerância é a arma mais eficaz contra o vazio que a maioria das pessoas afirmam no dia-a-dia, tanto em palavras (ou falta delas) quanto nas atitudes, percebe-se o quanto é inglório não ser intolerante.

Não entendeu nada? Então vou explicar com um exemplo factual. Há alguns anos, a interatividade na televisão brasileira desenvolveu-se com programas como o global Você Decide. Paralelamente, a sociedade do espetáculo inventou o Big Brother, reality show que apresenta as misérias da condição humana 24 horas por dia, com participantes quase até mais vazios que seus telespectadores. Em última instância, todo e qualquer reality show trata-se da coisificação catódica da própria condição humana, entendida em uma relação dialética com o mundo capitalista: quem não consome, não é consumido.

Sim, o emprego mais idiota do mundo é o de celebridade vazia. O idiota que vende na TV a imagem que constrói de si, seja na academia ou na clínica de medicina estética. Ou em ambas. Recentemente, milhares de idiotas, candidatos a idiota-mor, tornaram-se artífices de mais um espetáculo vazio para pessoas vazias: candidataram-se ao cargo de zelador de uma ilha que ninguém nunca tinha ouvido falar, em um país que serve para pouca coisa, para além do darwinismo.

Ah, claro, Grande Barreira de Corais! Quem assistiu ao desenho animado Procurando Nemo sabe do que se trata. Mas do que se trata esse emprego? Para além da sociedade do espetáculo, nada! Afinal, é auto-promoção coletiva, em sentido estrito. Auto-promoveram-se, ou pelo menos tentaram, todos os idiotas mundo afora que participaram da seleção para zelador, autoridades do Governo local e, claro, a mídia. Aliás parece que nada existe, hoje em dia, se não está na televisão ou na Internet.

Um idiota, agora, vai se tornar "zelador" da tal ilha por seis meses, sob a condição de manter um blog e conceder entrevistas. E daqui a seis meses, na certa, mais auto-promoção. Pessoas vazias de todo mundo, participem!

E confirmem a acurácia da minha leitura do real.

Carimbador maluco do MMA

Fiquei em 454º lugar entre 23753 inscritos para o concurso de agente administrativo do MMA. Sim, um dia eu chego lá...

domingo, 3 de maio de 2009

Cruzeiro, Cruzeiro querido


Campeão invicto de 2009 em cima do maior rival, o Galo. Maior rival e freguês.

Coitado do meu vizinho atleticano...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Ayrton Senna do Brasil

Ayrton Senna da Silva: o último herói brasileiro

Hoje, ao pensar nos 15 anos da morte de Senna, lembro dos versos de um velho conhecido, Alexandre Bueno Chaves, que diziam:

O herói, enfim, morreu
E nossos sonhos ficaram na mão
Só nos restam os braços de Morfeu
Enquanto não surge outro homem-galardão

Lembro também do meu velho amigo Jorge Barretto, que era grande fã do Senna e também morreu cedo demais...

Valeu, Senna! Valeu, Jorge!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O contrassenso da Marcha da Maconha

Este texto não é apologético: não defende nem recrimina o consumo de maconha. Trata-se do esboço de um levantamento histórico da proibição da maconha, a partir dos Estados Unidos, para criticar a Marcha da Maconha, com bom humor.

Digressão inspirada

Para entender os porquês da Marcha da Maconha, pode ser útil uma digressão que remonte, inequivocamente, ao contexto de proibição da erva, nos Estados Unidos da América. Por trás dela, uma espécie de híbrido de Roberto Marinho e Gilmar Mendes sem toga: William Randolph Hearst.

Hearst nasceu em São Francisco, Califórnia, em 29 de abril de 1863. Era filho único de Phoebe e George Hearst, que adquirou o jornal San Francisco Examiner graças à dívida de jogo de azar, quando William Hearst estudava em Harvard. Expulso de uma das mais tradicionais e respeitadas instituições da Ivy League, e com alguma experiência como gerente de vendas do jornal Harvard Lampoon, Hearst passou a dedicar-se, aos 25 anos, à administração do jornal de seu pai. Em seguida, ele adquiriu outro, 0 New York Journal. Em seu auge, o império de Hearst chegou a mais de duas dúzias de jornais em todo país, quando um em cada 4 cidadãos estadunidenses lia seus jornais.

Em 1902, tornou-se congressista, representando o estado de Nova York, foi reeleito em 1904 e eleito governador em 1906. Na década de 1920, Hearst ampliou seus negócios, criando estações de rádio. Na de 40, tornou-se pioneiro da televisão.

Magnata das comunicações, William Hearst era um dos homens mais poderosos dos Estados Unidos. O filme Cidadão Kane, de Orson Welles, foi inspirado em Hearst.

Marijuana Tax Act

Há séculos, o cânhamo (anagrama de maconha) era beneficiado para a obtenção de diversos produtos, de roupas a cordas para embarcações. No começo do século XX, a descoberta de novos processos indicava que a planta poderia ser usada para produzir plástico e explosivos. Na década de 1930, a alta produtividade do cânhamo na fabricação de papel, nos Estados Unidos, começou a ameaçar os interesses de grandes companhias, como a Du Pont e a Hearst Paper Manufacturing Division.

Em 1930, Harry Jacob Anslinger tornou-se Comissário do Bureau Federal de Narcóticos (FBN). Anslinger era tido como uma figura honesta e incorruptível, tinha sido Comissário Assistente do Bureau de Proibições, a partir de 1929, e tinha larga experiência no combate ao tráfico internacional de drogas. Não é preciso muito tutano para imaginar que o poder pessoal de Anslinger cresceria proporcionalmente à quantidade de substâncias que conseguisse proibir. Anslinger ficou conhecido como o Czar das Drogas.

A conjugação dos interesses de Hearst, Anslinger e da empresa Du Pont, entre outros, deu origem a uma campanha anti-maconha de âmbito nacional. Os tablóides de Hearst disseminaram histórias inventadas visando à demonização dos usuários, inspirando-se no ódio contra negros e hispânicos, consumidores tradicionais da erva nos Estados Unidos. Estupros e assassinatos foram inventados por Hearst para ilustrar a ameaça que a cannabis apresentava para a sociedade branca e protestante, com personagens de origem mexicana ou negros jazzistas, por exemplo.

Levando-se em consideração que um em cada 4 estadunidenses eram leitores dos jornais de Hearst, fica óbvio que a campanha anti-maconha conseguiria, em pouco tempo, atingir seu maior objetivo: garantir os interesses de William Hearst, Harry Anslinger e da Du Pont, entre outros. Em 1937, o Marijuana Tax Act foi editado, banindo da legalidade uma planta cujo uso remonta a milhares de anos.

E assim como a Lei Seca proibira a produção, a comercialização e o consumo de álcool, e acabou impulsionando o mercado negro e a Máfia italiana nos EUA, a proibição da maconha também se deveu a interesses pessoais e econômicos, com inequívocas consequências socioculturais dentro e fora dos Estados Unidos. Progressivamente, a propaganda anti-maconha conseguiu alastrar-se por todo o mundo, com a proibição do cultivo, comércio e consumo da erva.

O contrassenso da Marcha da Maconha

No ano passado, usuários e simpatizantes da maconha no Brasil foram impedidos judicialmente de promoverem a Marcha da Maconha. Não precisa ser jurista nem operador do Direito para perceber a besteira em que o Judiciário incorre ao proibir que, na vigência do Estado Democrático de Direito, uma meia dúzia de "maconheiros" marche em defesa da erva, em uma dúzia de cidades Brasil afora.

Em 2009, a Marcha da Maconha já foi proibida em três capitais: Salvador, São Paulo e João Pessoa. Enquanto o Supremo Tribunal Federal não discute a inconstitucionalidade de se proibir um ato público em defesa de uma conduta tipificada como crime no Código Penal, eu fico pensando no contrassenso de um evento que congrega "maconheiros" para marchar.

Marchar? Marchar é coisa de estudante profissional, sem-terra e militar; não de doidão. Sugiro a mudança do "movimento" para Parada da Maconha...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Trotsky do Baygon

Hoje, dia 21 de abril, Guga Baygon terminou a tatuagem que começara no dia 17 de dezembro do ano passado.


Trata-se de uma intervenção desse grande artista pernambucano, meu brother, no pôster do artista russo Viktor Deni, de 1920. Inspirado no misticismo cristão russo, apresenta Trotsky como São Jorge, atacando um dragão em que se lê, em russo, Contra-revolução.

O bicho-homem é o lobo do bicho-homem

Há 49 anos, os candangos - brasileiros pobres de todas as regiões do país - celebravam o cumprimento da empreitada que lhes cabia: erguer a Cidade Modernista no ermo do Planalto Central. As quedas diárias de andaimes, os massacres de operários, os corpos misturados ao concreto armado, os mortos enterrados em valas comuns: tudo isso tornou-se nada. Rendeu alguns filmes que ninguém viu, bancados pela Lei Rouanet ou pelo Programa Petrobras Cultural: jogo de cartas marcadas. E JK entrou para a História como grande estadista - rendeu até minissérie na Rede Globo - e foi morto pelos milicos, que nem em filme de Hollywood.

Hoje, dia 21 de abril, é feriado nacional. Além da inauguração de Brasília, também comemora-se o Dia de Tiradentes, quando enforcaram e esquartejaram Joaquim José da Silva Xavier. A intelligentsia mineira envolvida na Inconfidência, quase como Pilatos, teve as mãos lavadas. Mataram o tira-dentes e pouparam os aristocratas. Alguém tinha que morrer para dar o exemplo, e não matariam o "Dirceu de Marília", claro. Assim como, quase três séculos mais tarde, não seria o Zé Dirceu que daria o exemplo...

Há 24 anos, José Sarney "matava" o presidente Tancredo Neves, no Hospital de Base, em Brasília. Antes de se tornar imortal da ABL, além de imortalizar o bordão "brasileiros e brasileiras", Sarney levou o país à bancarrota, contribuindo sobremaneira para a eleição de Fernando Collor: o marajá que a propaganda política dizia que acabaria com os marajás, tipo o Sarney. Acabou sofrendo um impeachment por corrupção. Pior, ainda hoje tem idiota que acredita que os cara-pintadas - o maior factóide da primeira metade da década de 1990 - tiveram algum papel nisso. À época, os que não eram mera massa de manobra - a maioria -, ou estavam lá pelo dia longe das escolas, com direito a álcool e drogas - os mais "espertos" - ou pela carreira política que almejavam - os estudantes profissionais da UBES e da UNE.

Coisa de Brasil, vocês sabem. Aliás, amanhã é o dia da grande farsa: o Descobrimento. Descobrimento por quem, cara pálida? Achamento do Brasil, no máximo, pela cruz e pela espada. Ainda bem que, naquela época, não tinha show da Xuxa para comemorar coisa alguma...

domingo, 19 de abril de 2009

Dia do Índio

"Índio bom é índio morto". Há séculos, no Brasil, é isso que pensa a tal sociedade nacional...

A tortura e o "outro"

A imprescritibilidade da tortura na vigência do Estado Democrático de Direito emana da ojeriza da sociedade contemporânea por essa prática; alimentada pela cruedade humana, tão rica e vasta quanto perniciosa. Puta que pariu, alguém pode pensar. Mas é isso aí...

O ser humano é escroto, especialmente quando reconhece no "outro" um inimigo real ou potencial: seja o vizinho, a outra famiglia, a outra facção criminosa, o outro povo, a outra nação. A era Bush ensinou ao mundo sobre intolerância e belicismo, e estimula-se agora um questionamento da prática da tortura, com a divulgação pelo governo do Presidente Obama de memorandos da CIA, a ABIN estadunidense. Gostaram da comparação, meus quase sete leitores?

Dentro e fora dos Estados Unidos, a imprensa repercute as implicações da revelação de táticas - entre elas a prática da tortura - que, segundo oficiais da agência estadunidense, podem comprometer ações futuras. A maior parte deles deve acreditar numa perspectiva utilitarista da tortura como mecanismo de combate ao terror. Principalmente se, para evitar o terror imposto pelo "outro", puder-se usar do terror contra o outro povo ou a outra nação. É o que se chama em estratégia militar de deterrence, e pode ser assistido na TV sempre que o exército israelense mata centenas de palestinos na Faixa de Gaza, por exemplo. Deve-se não apenas inspirar o medo no "outro"; é preciso imolar o "outro" para lembrá-lo da superioridade bélica de quem impõe o terror para garantir os próprios domínios e pretensões.

Não sei dizer se isso é coisa do capitalismo ou da natureza humana; mas eu cresci acreditando que, no Brasil, para a Polícia a tortura era o único meio de investigação policial. Depois, descobri que, antes dela, tinha a caguetagem. Até que a Polícia Federal e suas operações, cujos nomes aposto que estagiários em agências de publicidade e redatores devem invejar, centradas em meses de investigação policial sem tortura, revelaram que a bandidagem do sistema DASLU/FIESP (e afins) tem agora quase o que temer. Graças à PF. E quase para além das graças do STF. Quase.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

The most popular politician on Earth



Brazil President Lula (Pinewood Derby - South Park)

A imagem que você vê não é nada?

Nos últimos dois dias, escrevi um roteiro de ficção para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), sobre um caminhoneiro pedófilo que quase manteve relações sexuais com a própria filha, que ele conhecera dias atrás, e só por foto. Só mais um curta-metragem a que ninguém vai assistir...

Não saber nem quando nem se vou receber pelo roteiro - sina do freelancer - dói menos do que não saber se o que a mídia diz que é verdade realmente o é. Não, não estou destilando meu ódio contra jornalistas e afins, mais uma vez. Ou estou?

Bem, quero falar dos chamados "piratas da Somália", valendo-me da nomenclatura de que os meios de comunicação se valem para narrar histórias e faturar dinheiro. Mais uma vez, trata-se de um revés do "mito de Sherazade": a sina do jornalista, filho da pauta e dos interesses editoriais que pagam suas contas.

Não assisti a nada nem li uma linha na imprensa brasileira, ainda, dizendo que os "piratas da Somália" se autodenominam "Guarda Costeira Voluntária da Somália" e lutam contra a pesca predatória levada a cabo por europeus na costa daquele país africano. Afinal, seus pescadores tradicionais passam fome, à mercê de pesqueiros europeus que superexploram o pescado somali, para abastecer restaurantes e conquistar paladares refinados na Europa.

O que você, playboy brasileiro com sobrenome gringo, supostamente engajado em favor de minorias raciais e sociais, politicamente correto, faria se o litoral do seu país fosse destino de lixo nuclear europeu? E quando seus filhos começassem a nascer com deformidades, e mais de 300 de seus compatriotas fossem vítimas fatais dessa contaminação? Você apelaria à ONU ou se valeria de seu direito legítimo à insurreição?

Todo apoio aos "piratas da Somália"! Que a Guarda Costeira Voluntária da Somália enforque o capitão nas tripas do próximo saqueador capturado...

Quem quiser consubstanciar suas opiniões: dois artigos, um britânico e um estadunidense, e um editorial somali, para quem entende inglês.

The Independent - Reino Unido (05.01.09)

WardheerNews - Somália (07.12.08)

Newsweek - EUA (08.12.08)

Esse último artigo, da Newsweek, caiu em prova de Nível Superior da ANTAQ, no último dia 5 de abril.

domingo, 5 de abril de 2009

5 de abril

5 de abril: Dia Mundial da Atividade Física.

Tá explicado: 31 anos no 220 V, hoje.

sábado, 4 de abril de 2009

Da poesia hiperbólica aos poemas avulsos

Ao longo de quase dez anos, dediquei-me à produção e à seleção de poemas que julgava suficientemente bons para integrarem meu primeiro livro a publicar: Poesia hiperbólica. Muitos poemas que escrevi a partir de 1997 ficaram de fora, graças a esse darwinismo lírico que censura a própria obra, poupando o leitor...

Tentei produzir um bom livro de estreia. Convidei uma das pessoas mais brilhantes que conheço, Luisa Günther, para ilustrá-lo. Maria Rosa, minha mulher, ocupou-se da revisão, e tentamos privar o leitor de erros crassos. Waldemar Euzébio Pereira, poeta mineiro, pai dos meus amigos de infância André e Gabriela, foi o responsável pela apresentação da obra, proporcionando-me uma alegria ímpar, que espero ter instigado o leitor.

Editar aos trinta anos um livro de poemas escritos entre a adolescência tardia e a formatura em Ciências Sociais preservou muitos poemas avulsos, nascidos a partir de 2004. Se, ao selecionar minha poesia hiperbólica entre meus primeiros poemas, optei por preservar o leitor de tudo que vomito, não haveria de ser diferente para o segundo livro.

Afinal, o mesmo esmero que permitiu a edição da minha poesia hiperbólica deve nortear a seleção desses poemas avulsos. Em breve, as boas surpresas serão muitas, leitores.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A Paraíba logo ali...

Sabem quanto custa meu sonho de viver na Paraíba? Custa o sonho de mais de 14300 pessoas, paraibanas ou não...


Foto: Leina Karla

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Lula lá...

"That's my man right here. Love this guy. He's the most popular politician on Earth. It's because of his good looks" - President Obama, on the day after April Fools, at the G-20 summit, as Brazil President Luiz Inacio Lula da Silva approached him.


Only 78 percent of approval rating after the economic crisis

segunda-feira, 30 de março de 2009

Picho, logo existo!

Há anos me fascina a pichação: necessidade humana de se inscrever no espaço. Como antropólogo, percebo nela um paralelo válido com as pinturas rupestres, em que o homem primitivo cristalizava sua existência.

Mas as duas realidades mencionadas separam-se por milênios de evolução, e pichar é crime no Brasil: o que torna cada pichador um fora-da-lei. Misto de criminosos e artistas plásticos, os pichadores congregam-se em grupos, alguns deles rivais entre si. Esses grupos de pichadores, seu ofício e suas vivências, a partir de agora, são o objeto de um estudo centrado em técnicas de Antropologia Visual, que desenvolverei com o fotógrafo e jornalista Sinclair Maia.

"Picho, logo existo!" é um olhar antropológico sobre um forma de expressão cujo estatuto de arte é questionado de maneira inversamente proporcional à perspectiva criminosa que lhe é atribuída.

Mais uma vez, nada sutil...

quarta-feira, 25 de março de 2009

A função social do meu blog (2)

Ontem, dia 24, alguém de Uberaba ficou dois minutos e seis segundos no meu blog. No dia anterior, um visitante de Aracaju permaneceu por vinte e cinco minutos e trinta segundos. Graças ao Google Analytics, diariamente, posso avaliar quali-quantitativamente os acessos. Até agora, foram 914 visitantes de 85 cidades diferentes, de todas as regiões do país, desde 14 de dezembro de 2008.

A maioria prefere ler a comentar, imagino. Comentários a minhas confissões e opiniões são bem-vindos, obviamente; sejam aquelas avulsas ou não. A opção por moderar os comentários se deveu, exclusivamente, ao fato de haver usuários valendo-se da liberdade do espaço virtual para publicar anúncios de produtos falsificados ou contrabandeados, ao invés de diálogos entre autor e leitor.

Mas por que comentar? Porque escrever é como ler: semear a semente. Mesmo que esse blog não deixe de ser uma espécie de diário do meu drama cotidiano de desempregado e concursando, gostaria que mais pessoas se manifestassem por aqui.

Afinal, é sempre bom quando as palavras ecoam...

Águas de março (7)

Meu caro Marcelo Mourão Motta Grossi,

Agradeço a gentileza da remessa do poema que muito apreciei. Desejo-lhe o merecido êxito em sua jornada poética.

Atenciosamente,

Lêdo Ivo

quinta-feira, 19 de março de 2009

Águas de março (6)

Não foi dessa vez. Então não tinha que ser...

Que venha o próximo concurso: o do MRE foi pro brejo.

Fiquei em 882º lugar. Cinco pontinhos...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Águas de março (5)

Recebi um e-mail do Lexicógrafo-Chefe da A.B.L. confirmando o envio do meu poema a Lêdo Ivo.

São as águas de março...

domingo, 15 de março de 2009

Águas de março (4)

Há algum tempo, o sítio da Academia Brasileira de Letras se tornou destino obrigatório em meus périplos internéticos. Não apenas pelos textos de imortais mas, sobretudo, pelo sistema de busca do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

Na última semana, despertei para o fato de que poderia me valer de outra facilidade, o "ABL Responde", na tentativa de encaminhar meu poema Setembro ao imortal Lêdo Ivo, alagoano de cuja poesia sou admirador profundo. Na pior das hipóteses, quedar-se-ia meu poema digitado no espaço destinado a uma pergunta, por ser uma não-pergunta. Trata-se de uma confissão na extremunção do poeta. Esse cara esquisito que tem um prazer prometéico em sofrer, ou fingir que sofre. Afinal, otimismo é para os fracos.

Ontem à noite, sábado, fiquei mais surpreso que os italianos depois da concessão de asilo político a Cesare Battisti, ao receber uma resposta para minha não-pergunta. A mensagem eletrônica sugeria, cordialmente, que encaminhasse meu poema para um determinado endereço, que descobri se tratar do e-mail do Lexicógrafo-Chefe da ABL. Graças ao Google.

Humildemente, enviei uma mensagem a ele com meu poema. Nada mais teleológico que a poesia...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Águas de março (3)

Hoje é 12 de março, dia de lua cheia. Falta uma semana para a divulgação do resultado do concurso para OFCHAN do MRE.

É hora de ouvir Eclipse, do The Dark Side of the Moon.

À sombra de Tim K

Ontem, o adolescente alemão Tim Kretschmer saiu do ostracismo para se tornar mais um mártir da sociedade do espetáculo, essa que exige representações e adereços materiais e simbólicos muitas vezes fora do alcance de um Bruce Jeffrey Pardo ou de um Cho Seung Hui. Tim K., como ficou conhecido mundialmente o atirador de 17 anos que matou coleguinhas e professoras de sua antiga escola, em Winnenden, na Alemanha, foi mais um idiota que não segurou a própria onda.

Hoje, dia 12 de março, na estrada entre Goiânia e Anápolis, Kleber Barbosa da Silva, após agredir a esposa com golpes de extintor de incêndio, batendo-lhe na cara enquanto dirigia, e jogá-la para fora do veículo em movimento, sequestrou a própria filha e fugiu com ela até Luziânia, na região do Entorno do Distrito Federal. Na segunda-feira, dia 9, em Aparecida de Goiânia, Kleber estuprara uma menina de 13 anos.

Em Luziânia, mesmo sem ter brevê de piloto, sequestrou um avião monomotor no Aeroclube de Brasília, depois de ameaçar o piloto com uma arma de fogo, e voou para Goiânia com a filha. No voo de volta, foi seguido por caças da Força Aérea Brasileira, que tentaram contato com o sequestrador pelo rádio. Sem sucesso.

Depois de manobras arriscadas pelo céu da capital de Goiás, o imbecil pedófilo, estuprador e sequestrador arrebentou o avião no estacionamento de um shopping center, catedral do consumo. Matou-se e levou a filha de cinco anos junto.

Pena que a comoção internacional gerada pelo caso Tim K. tenha ofuscado a perspicácia do goiano...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Notícias do front

Ontem foi a prova da ANATEL. Gostei. Não vou passar porque não obtive 90 por cento de acertos, definitivamente. Minha performance, no entanto, está cada vez melhor.

Um dia chega a minha vez. Afinal, como dizia Justino Mourão Motta, "o que tem que ser, tem força".

domingo, 8 de março de 2009

8 de março - Dia Internacional das Mulheres

No Dia Internacional das Mulheres, os cartões de crédito não deveriam ter limite...

Águas de março (2)

Fernando Collor, único Presidente da República que sofreu impeachment, em 1992, foi escolhido por seus pares como Presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado Federal. Uma manobra do PMDB, partido de muitas caras e histórias de vida, mas nenhum pudor. Teme-se o acontecido porque Collor foi alçado à condição de babá do PAC. E o Plano de Aceleração do Crescimento, como todos sabem, é o viagra do Lula.

Com 84 por cento de aprovação popular, Lula imbui-se de um toque de Midas eleitoreiro: todo aquele em que ele "tocar" vira voto. Dilma Rousseff, por exemplo. Depois da cirurgia plástica, do novo corte de cabelo e das lentes de contato, a Chefe da Casa Civil deve ser tornar a primeira presa política a ascender ao Palácio do Planalto, tornando-se Presidente em 2010. Dilma é a mãe do PAC.

Derrotada por mais uma manobra do PMDB, a senadora petista Ideli Salvatti, de Santa Catarina, juntou-se em frustração ao companheiro de partido Tião Viana, do Acre, que perdera a disputa pela Presidência do Senado para o imortal José Sarney, sempre eleito ad infinitum pelo PMDB do Amapá, ex-Presidente da República que faz política como faz literatura: só merda!

Na escolha de Collor para babá do PAC há, obviamente, outra eminência parda: Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-Presidente do Senado Federal. Apesar do frequente fogo amigo, o PMDB pertence à base aliada que garante a governabilidade no Congresso Nacional. Ou, pelo menos, algumas facções do partido pertencem, mas elas são quase sempre tão imperceptíveis a olho nu quanto tendenciosas. No Congresso brasileiro, os interesses que têm primazia são os individuais e, no máximo, os partidários, e não os nacionais.

É por isso que o Partido dos Trabalhadores teme a presença de Collor na maternidade do PAC. A Secretaria de Infraestrutura do Senado é responsável pela aprovação de todos os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento. Agora, as pretensões eleitorais de Dilma Rousseff parecem atreladas às decisões da Comissão presidida por Fernando Collor. E isso é mais assustador do que Gilmar Mendes na Presidência do Supremo Tribunal Federal.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Águas de março

Fevereiro é um mês estranho, de aquarianos e piscianos.

No último dia 8 de fevereiro, submeti-me às provas do concurso para Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores. No dia seguinte, destruí o braço fazendo downhill aqui do lado de casa, depois de mais de dez anos sem subir em um skate. Fiquei apenas três dias engessado. Não consigo ficar engessado. Desde os três anos, sempre tirei todos os gessos antes do tempo devido, sem exceção. Tardiamente, soube que tenho Saturno na Casa 1, e que isso redunda em problemas ósseos. E eu, que achava que ter ascendente em Leão tinha a ver só com a arrogância e a pompa leoninas, me fodi.

Sem gesso, fui a BH e fiquei uma semana tomando Mate Couro e Guarapan: gosto (subs.) de infância. Quando se mora longe da mãe, visitar a casa dela sempre é bom. Sempre. Mesmo à espera da divulgação do gabarito preliminar daquele concurso para o qual se estudou praticamente o dia inteiro, de novembro a fevereiro.

Dias tensos: parei de dormir direito duas semanas antes da prova e só voltei a ter noites mais ou menos tranquilas dias depois da divulgação do gabarito, quando minhas esperanças esgotaram e o Carnaval despontava. De BH, voltei a Brasília e fui à Chapada dos Veadeiros na sexta.

Quem não tem colírio, joga pedra na Geni

Foto: Christophe Scianni

Maldito Carnaval em Cavalcante! Dá até nome de bloco carnavalesco: todo mundo fantasiado de bobo da corte naquela cidadezinha no interior de Goiás sem qualquer infra-estrutura para dar conta da demanda massiva de milhares de brasilienses por produtos e serviços. Cachoeira parecendo a Água Mineral quando a umidade relativa do ar começa a chegar a 15 por cento, em qualquer inverno tórrido e seco da Capital Federal. Aliás, brasiliense que não apinhou cachoeira em Cavalcante, superlotou a Pizza Roots (pizzaroots@hotmail.com). Eu e meu amigo franco-italiano esperamos 90 minutos pela pizza. Amadores: nem a Coca eles se dignaram a servir quando fizemos o pedido. A pizza era até boa, depois da espera cruel, ficou excelente!

De qualquer forma, não volto lá nunca mais: ao desistir de pedir a conta à mesa, uma senhora ignorante que parecia a proprietária, além de gritar com a gente no caixa por não saber o número da nossa mesa, até cobrou 10 por cento sobre o serviço (de merda) - que nos recusamos a pagar - e quatro reais de couvert por pessoa - que consentimos em pagar, apesar de não haver qualquer menção a couvert na casa, seja no cardápio ou na pizzaria em si. Pagamos porque ouvimos um qualquer tocando músicas quaisquer, daquelas que ninguém presta atenção quando está com muita fome e muita raiva. Maldito Carnaval em Cavalcante!

Pior: há nove anos, quando havia apenas uma dúzia de estudantes da Universidade de Brasília por lá, todo mundo dizia que a cidade era promessa de crescimento com desenvolvimento sustentável centrado no ecoturimo: balela de universitário maconheiro. Aquilo ali no Carnaval é o caos! And nothing more.

Quoth the raven: nevermore!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

8 de fevereiro de 2009

"O que tem que ser, tem força!" - Tino Motta

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Novo acordo ortográfico

O novo acordo ortográfico entre os países lusófonos é um importante marco para as relações internacionais. Em vigor desde 1º de janeiro de 2009, trata-se de uma tentativa de conferir maior unidade ortográfica ao português, idioma oficial das oito nações que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Afinal, essa unidade ortográfica pode facilitar as relações comerciais entre membros da CPLP e com outros blocos.

Sabe-se que, devido à diversidade cultural e étnica entre os países lusófonos, o português falado apresenta variações que, ao invés de unir seus falantes, os separam. Tal qual o inglês separa britânicos e estadunidenses. Espera-se que, mesmo restrito à ortografia, o novo acordo promova uma maior unidade lingüística à “última flor do Lácio”.

Afinal, a aquisição de uma maior unidade lingüística pode estimular o multilateralismo na política externa e fortalecer as nações que integram a CPLP. Assim, o bloco poderia defender e atingir mais interesses comuns. Sabe-se, também, que o novo acordo ortográfico pode facilitar o ingresso do Brasil, país mais extenso e populoso da CPLP, como membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Há algo de novo na língua de Camões, Pessoa, Machado e Drummond. Para além da mera supressão de letras e acentos, trata-se de uma aposta no futuro. A tentativa de reconhecer a importância dessa reforma ortográfica atrelada tão-somente ao presente pode ser tão inglória quanto a paráfrase “reformar é preciso, viver não é preciso”. Quanto ao presente, esqueça-se o trema.

Fim do ciclo

Fecha-se mais um ciclo.

Amanhã, dia 8 de fevereiro, quando eu me sentar naquela sala 68, todos os meus ancestrais, cuja essência está contida nas cadeias helicoidais do meu DNA, terão consciência de que seu legado foi honrado.

E o bicho vai pegar!

How to prepare for the crisis

According to Chinese astrology, 2008 was the year of the brown rat: a time of expected and great changes. Some of them became quite remarkable when the crippling American real estate started to capitulate, as well as the greed-is-good mantra of the free-trade in which it was inspired. But, currently, how to prepare for the crisis?

In fact, the undergoing financial and economic crisis already seems so yesterday, and still one may claim neither heads of States nor the average citizens are aware of how to tackle the current issues. The more news on the crisis is massively broadcast, the fewer reasonable alternatives seem feasible. Therefore, no one is able to predict what will come next in this crisis of capitalism.

Undoubtedly, the nationalisation of the banking system in virtually the entire Western industrialised world and those millons of unemployed citizens worldwide are at the core of the current crisis. Even if one has a job now, no one is able to predict for how long. It is a time of unpredictable, great changes, which demand new paradigms to cope with them.

As the world started to dramatically change in 2008, like expected by Chinese astrology, what may one do in order to survive the current crisis? Since no one has conceived such paradigms so far, a believe would suggest praying for now.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A identidade e a poesia: uma digressão modernista?

Aprendi a respeitar o inusitado. Há pouco mais de dois meses, dia de concurso público, me deparei com uma identidade funcional perdida nas proximidades da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília. Não tive dúvidas: decidi resguardá-la. A princípio, pensei em entregá-la a meu cunhado, aluno de Elétrica; mas a identidade acabou esquecida no porta-luvas do carro, desde 23 de novembro.

No domingo passado, a uma semana do dia mais importante da minha vida, minha tentativa tardia de localizar o professor que perdera sua identidade funcional deu certo. Agradeçamos ao Google. No e-mail do professor, li: "agradeço pela sua atenção, rara nos dias de hoje".

Ontem a identidade foi devolvida. O professor e eu moramos no mesmo bairro da Cidade Modernista. Na caixa de correio dele, além da identidade, um livro de poesia, com a seguinte dedicatória: "Bem que meu editor disse que o poeta é um sujeito diferente."

Nada mais teleológico do que o inusitado, pelo menos na minha vida. Afinal, eu sou o cara que editou 500 livros e não lançou a obra. Nem está preocupado em fazê-lo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Dois anos de subversão e resistência

Em pleno Carnaval, "Outro náufrago da utopia" completa dois anos de subversão e resistência.

- Resistência a quê, porra?

- Resistência ao status quo!

- O cara quer se tornar barnabé, burocrata, e vem falar de resistência ao status quo. Piada.

- Burocrata é o caralho. Tecnocrata.

- Vai se foder!

- Vai você.

SETEMBRO

A Lêdo Ivo, imortal

Eu jurei à morte me calar
mesmo sabendo que jurar é pecado
como ensinou minha mãe

Eu prometi, então, à morte me calar
e só assistir a tudo em silêncio
soturno, canhestro
puro/impuro
interdito do medo
que é o pior
e o melhor de mim

Eu quis à morte me calar
a jurar à morte, com os olhos, enfim, por paz

Eu não quis mais esse eu apodrecido:
meus pulmões oxidados
meus rins obsessivos
meus olhos cansados de olhar por trinta anos
e, ainda assim, não enxergar nada

Eu quis esquecer e nunca mais escrever
a verve que pulsa incandescente
sob a razão que envilece
e o amor que liberta

Eu aprendi as regras e as exceções do uso da crase
antes de ter certeza dos fins e das finalidades
dos princípios e dos meios da poesia e da vida

Fio de Ariadne

O mundo como o conhecemos está por um fio. A atual crise financeira e econômica, depois de iniciar-se no mercado imobiliário estadunidense, coloca em xeque princípios basilares do neoliberalismo, como a não-intervenção do Estado nos mercados. No entanto, teria a crise mundial decretado o fim do Estado do bem-estar social?

Sabe-se que a nacionalização do sistema bancário e a ajuda bilionária de Estados nacionais para evitar a falência de grandes empresas engendram um interstício na agenda neoliberal. Assim, novas políticas públicas, alternativas ao neoliberalismo, podem ser promovidas se houver vontade política.

No Brasil, por exemplo, políticas de inclusão social e distribuição de renda têm diminuído a desigualdade histórica entre os mais ricos e os mais pobres. O que explica, em parte, os atuais índices de aprovação do Presidente Lula.

Na verdade, transformar em política pública qualquer demanda legítima depende, sobretudo, de vontade política. E é essa vontade política que pode garantir a sobrevivência à crise mundial. E, talvez, políticas centradas na promoção do bem-estar social representem o "fio de Ariadne" para fora desse "labirinto".

sábado, 31 de janeiro de 2009

Edgar Allan Poe

Poe é alguém que admiro profundamente. Tanto pelo intenso caos da persona quanto pela excelência da produção literária.




O poema "The Raven" é (tido como) sua obra-prima. Mas o que dizer, então, sobre "Filosofia da Composição"?

Nevermore.

The Raven - Edgar Allan Poe

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
"'Tis some visitor", I muttered, "tapping at my chamber door —
Only this, and nothing more."

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; — vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow — sorrow for the lost Lenore —
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore —
Nameless here for evermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me — filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
"'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door —
Some late visitor entreating entrance at my chamber door; —
This it is, and nothing more."

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you" — here I opened wide the door; —
Darkness there, and nothing more.

Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortal ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, "Lenore?"
This I whispered, and an echo murmured back the word, "Lenore!" —
Merely this, and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
"Surely," said I, "surely that is something at my window lattice:
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore —
Let my heart be still a moment and this mystery explore; —
'Tis the wind and nothing more."

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore;
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door —
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door —
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore.
"Though thy crest be shorn and shaven, thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly grim and ancient raven wandering from the Nightly shore —
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

Much I marveled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning — little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blest with seeing bird above his chamber door —
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as "Nevermore."

But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered — not a feather then he fluttered —
Till I scarcely more than muttered, "other friends have flown before —
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."
Then the bird said, "Nevermore."

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful Disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore —
Till the dirges of his Hope that melancholy burden bore
Of 'Never — nevermore'.

"But the Raven still beguiling all my sad soul into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird, and bust and door;
Then upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore —
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt and ominous bird of yore
Meant in croaking "Nevermore."

This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er,
She shall press, ah, nevermore!

Then methought the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee — by these angels he hath sent thee
Respite — respite and nepenthe, from thy memories of Lenore
Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost Lenore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil! — prophet still, if bird or devil! —
Whether Tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted —
On this home by horror haunted — tell me truly, I implore —
Is there — is there balm in Gilead? — tell me — tell me, I implore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil — prophet still, if bird or devil!
By that Heaven that bends above us — by that God we both adore —
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore —
Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore."
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Be that word our sign in parting, bird or fiend," I shrieked, upstarting —
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken! — quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted — nevermore!


A função social do meu blog

Tive um futuro promissor. Claro que só depois de desistir de ser lixeiro, meu sonho aos três anos de idade. A vida inteira me destaquei por gostar de ler, escrever e falar. No 3º ano do Ensino Médio, recebi menção honrosa da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, quando minha dissertação para o Prêmio Direitos Humanos 1997 foi selecionada pelo CESPE/UnB, entre mais de 600 trabalhos inscritos, e submetida à Comissão de Julgamento.

Todo mundo dizia, à época, que eu deveria fazer Jornalismo. Até parece que eu escolheria o óbvio. Eu sempre gostei do mais difícil. Estudar Ciências Sociais, de longe, foi um prazer. De perto, foi a maior picaretagem. Mas quem foi à minha banca tem certeza que eu fiz por merecer SS em Dissertação. Ou não.

Anos depois de formado, dei ouvido àquela a quem já tinha dado meu coração: Maria Rosa. Resolvi criar um blog para divulgar minhas elocubrações e para escrever. Depois de ficar em desuso de fevereiro até dezembro de 2008, quando o trabalho foi muito e a utopia pouca, esse blog passou a registrar, desde então, minha produção textual para the dog-eat-dog public contest coming soon. De novo, só comecei a estudar porque dei ouvido à parte (quase sempre) racional do relacionamento: minha mulher.

O resultado: depois de ter ficado em 30º lugar nas provas objetivas do simulado d'O Diplomata, instituto de relações internacionais onde me preparo para esse concurso, minhas notas nas redações de português (89) e inglês (90), me renderam a melhor média, entre todos os candidatos, nas duas redações: 179 pontos. Assim, subi de 30º para terceiro colocado. Tive (e tenho) um futuro promissor.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

It is the end of the world as we know it

The severe downturn most countries have faced for the past few months is the worst crisis of capitalism, at least since Great Depression. As the nationalisation of the banking system takes place in virtually the entire Western industrialised world, the greed-is-good mantra of the free-market capitulates.

Neither governments nor the average citizens are aware of how to tackle the financial and economic issues properly, especially in countries in which the downturn is supposed to deepen in 2009.

One may claim that the President-Elect Barack Obama, the first African American who ascended to the White House, will be able to cope with some of the current financial and economic problems. Nevertheless, no changes will come without pressure for them. Aside from the fact that Obama has no previous administrative experience, which may indicate lack of proper knowledge on how to manage to, at least, bail the American economy out of the crisis, created by itself.

Undoubtedly, if one hah such expertise in order to technically predict what near future will be like, we could expect capitalism to thrive once again, sooner or later. Unfortunately, there is no expert willing to take a chance. Once and for all, "it is the end of the world as we know it".

Camisa-de-força

Veneno e antídoto: sei que a essência é a mesma, como suicídio e nascimento, que têm a vida como essência. Sei que a morte depende da vida, do nascimento; mas não necessariamente a vida implica em suicídio.

O suicídio depende, sobretudo, da ação de matar-se, não apenas da vontade. Sei, e todos hão de concordar, que certas situações configuram-se dramaticamente insolucionáveis a ponto de se pensar em uma solução escapista. Mas sei também que a plasticidade e a adaptabilidade do ser humano diluem com tanta facilidade os problemas, principalmente quando percebidos como condicionados, sem exceção, às respectivas soluções, que não diferem-se da capacidade de diluição das inovações, perceptível no mundo moderno.

Diluir antes de digerir tem sido o estigma da modernidade. A "Idade da ciência" compromete-se com o carrasco e a vítima, eu aprendi.

Aprendi a perceber a essência de cada ato. Cada inovação surgindo como complemento. Como produto do meio, espelhava-se a humanidade em modelos. Alcançar os modelos e suas implicações exigia a aquisição de mais e mais produtos ofertados. O consumo institucionalizou-se o referencial da existência humana, determinante que possibilitava o usufruto do que de melhor era produzido para a sociedade.

Em pouco tempo, os homens estavam tão impregnados da necessidade do consumo exacerbado que conflitos surgiriam não só por interesses megalomaníacos de potências mundiais. Cadáveres renderiam pequenas homenagens às necessidades de influência, dominação e poder.

Na humanidade sempre esteve a essência da salvação. Meu Deus, a lucidez que o enclausuramento propicia deve ser dádiva do Seu poder. Só a misericórdia divina poderia iluminar minha razão desigualmente ofuscada pela demência a mim creditada por especialistas e pelo meio em que tenho vivido, ao longo dos últimos onze anos.

Quando fui trancado aqui, lembrava-me de pessoas entusiasmadas, de gente preocupada com o cotidiano. No sanatório, as preocupações são lunáticas. Pacatos ou violentos, mentes e corpos aprisionados têm vida própria. Algo que lhes é tão particular quanto o mais secreto dos pensamentos que preferimos não compartilhar com ninguém.

Sempre fui ambicioso. Antes de tantas sessões de torturas, que talvez pudessem ser chamadas, eufemicamente, choques elétricos, ou de medicamentos que impediam meu cérebro de agir como tal, ainda fora do manicômio, experimentei o prestígio social digno do professor que era.

Fui respeitado como pensador. Minha obra era comentada, discutida e refutada com a mesma ênfase, dada sua magnificência. A vastidão do meu conhecimento levou-me às vanguardas. Estive ligado a movimentos literários e partidos clandestinos, engajado e ativo, lutando.

E lutei. Defendi e ataquei, sobrepujando e sendo atacado por tantos com quem me engalfinhei, em lutas e debates que acabei descobrindo não serem meus. Foi quando fui atacado tanto pelo inimigos de sempre quanto pelos antigos companheiros.

Numa estratégia audaciosa, os partidários da situação, do status quo, e os partidos clandestinos definiram meu destino. O ato que trancou-me onde são trancafiados homens tidos como mazela da humanidade foi o primeiro entendimento de tal natureza entre eles.

Deus, como é notável que, respeitado por todas as minhas realizações, tenha sido reverenciado com o significativo empreendimento que me taxou de louco.

Veneno e antídoto. A formação que remediou minha ignorância e garantiu a dimensão da minha produção intelectual atirou-me nas trevas da insensatez a mim creditada. E a sociedade que racionalizei, parida das lacunas da legislação que a displicência premia, não se opôs em momento algum.

Sei que a partir do momento em que minha liberdade foi cerceada, meu valor subtraído e minha carne dilacerada, tornou-se plena e nítida a impressão de que havia me transformado em produto descartável. Meu lugar na sociedade, ou melhor, nas leis do mercado de consumo que regem a vida em sociedade, diluiu-se com a fúria dos que queriam minha morte.

A mim foram assegurados acompanhamento integral e assistência de qualidade, antídotos, paliativos para minha dita insanidade. A falta efetiva do antídoto poderia tornar-se meu veneno.

E a convivência com tantos loucos muitas vezes levou-me a duvidar de minha sanidade. Estive à beira da consciência absoluta em outras. Algumas vezes estive trancado em gaiolas, como um animal selvagem. As drogas que eram ministradas diluíam minha consciência e alteravam minha percepção, transformando-me em um quase ser humano, quase animal.

Mas meu espírito era forte. Minha carne era sensível; eu não.

O que me repugnou antes até de tornar-me um doutor foi a vida mesquinha vivida em sociedade. Como tornar-se-iam tão hipócritas aos meus olhos tantas atitudes eu observava...

Na verdade, acho que devem ter feito mesmo um bom serviço à manutenção do bem comum quando fui atirado no pedaço de chão que coube a mim, trancado e esquecido pela sociedade.

Veneno e antídoto. O sanatório não tornou-se minha cura, precisasse eu ou não do tratamento integral e da assistência de qualidade devidos. O manicômio tornou-se meu mundo. E minha mente continuou a mentar, acho.

Tenho saudades dos livros do Drummond. Tenho sim. Não posso obtê-los porque não tenho renda. Não recebo visitas; poucos se importam com gente tida como louca. Penso que não tenho mais parentes. Penso, mas sem emoção. Não tenho pena deles, nem mesmo de mim.

Sei que tive minha liberdade cerceada, minha individualidade reduzida à mediocridade. Quero que isso pouco me importe. Só desejo ter a mente e o espírito livres, como tenho tido. Não consumo nem sou consumido. O que me é dado é muito menos que o devido, mas prefiro não notar a dívida, a diferença entre prometido e concedido. Estou não apenas à margem, mas à considerável distância do mundo real.

Espírito e mente livres são meu refrigério entre as paredes que confinam minha carcaça. Sim, carcaça, não corpo. Corpo eu tive até minha matéria ser espezinhada pelos infortúnios que a açoitaram. A liberdade do espírito e a possibilidade da racionalização plena só atingi aqui. O manicômio foi meu mais significativo aprendizado.

Sei reconhecer o dia da minha morte. Não creio que saberia precisá-lo antes de hoje, acho. Estou até certo de que nunca soube mesmo quando ou como chegaria minha morte. Mas hoje acordei confiante de que era o dia. Nenhum sentimento de comiseração e auto-compaixão aproveitou-se da minha certeza, fazendo-me melancólico. O fato de ter sido libertado de toda e qualquer forma de opressão da mente e do espírito impedia-me de perceber tais sentimentos.

Gostaria de ter uma arma. Poderia eu mesmo dar cabo à minha existência hoje? Sei que é o dia do meu fim, sinto. Imagino-a metálica, reluzindo seu brilho prateado, inspirando e transparecendo poder. Assim poderia livrar minha carcaça da vida esmaecida entre paredes. Introduziria o cano na boca, sentindo o peso material da arma e o impacto psicológico causado por tal percepção.

Droga. Na verdade, não seria tão bom assim ter uma arma. Talvez a possibilidade do suicídio seja interessante para alguém com mente e espírito aprisionados pela vida que se tem na sociedade de consumo do mundo moderno; não para mim, que os tenho libertados.

Mesmo que esfacelem minha carne, o espírito e a mente livres garantem minha satisfação em viver. Sou livre. A morte não representa liberdade, não para mim. Só representa privação do direito de viver.

Veneno e antídoto. Estou livre, mesmo enclausurado. A humanidade acredita ter liberdade de escolha, direito e acesso ao mercado de consumo e às possibilidades de desfrutar de bens ofertados. Mas não sabe que consumir é consumir-se. É prender-se ao encadeamento do mundo, como uma engrenagem substituível e desmerecida.

Estou aqui, livre. O meu antídoto foi o veneno que me foi concedido: o manicômio. Minha liberdade só adquiri preso, liberto da avidez do homem e da convivência hipócrita da vida em sociedade.

Vocês deveriam conhecer a camisa-de-força que fere minha carne, mas não aprisiona minha mente e espírito. Vocês deveriam conhecer para poder perceber as prisões em que cada um está encarcerado por viver em sociedade. Todos vocês. Cada um na sua própria camisa-de-força.

08-06-99 (Brasília - Distrito Federal)