quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Pinochet foi pro inferno


Há 60 anos, no dia 10 de dezembro de 1948, foi promulgada em Paris a Declaração Universal dos Direitos Humanos, peremptoriamente violada desde então - seja pelo arbítrio do Estado ou com sua conivência, seja pela população de um Estado-Nação ou parte dela.

Há quase 40 anos, no dia 13 de dezembro de 1968, foi outorgado o Ato Institucional Nº5 (AI-5), um exemplo sórdido e irrefutável de violação sistemática dos direitos humanos no Brasil. Não há o que se comemorar, obviamente. Talvez, apenas as "viúvas" da Ditadura Militar e suas crias: bestas-feras que insistem em fazer a "carroça" da História andar em marcha-ré.


Há quase 20 anos, no dia 22 de dezembro de 1988, assassinaram Chico Mendes, seringueiro e líder sindical desde os enfrentamentos que opuseram "nativos" e "paulistas" nos seringais do Acre, na década de 1970. À época, Chico Mendes foi indiciado pela Lei de Segurança Nacional. A defesa da floresta não era considerada estratégica pelos militares, que estimulavam a ocupação e a exploração econômica da Amazônia, sem qualquer planejamento a médio e longo prazo.


Ontem, no dia 10 de dezembro de 2008, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em sessão de julgamento realizada no Teatro Plácido de Castro, em Rio Branco, decidiu, por unanimidade, declarar Chico Mendes um anistiado político brasileiro. Na ocasião, o Ministro de Estado da Justiça, Tarso Genro, pediu perdão à viúva e aos filhos de Chico Mendes, em nome do Estado brasileiro, pelas perseguições impingidas contra o líder sindical durante a Ditadura Militar (1964-1985).

Tantos outros companheiros e companheiras, cujas trajetórias individuais foram drasticamente alteradas com sua luta pela democracia e contra o Estado de Exceção, ainda não receberam esse pedido formal de desculpas do Estado brasileiro. Em cada sessão de julgamento da Comissão de Anistia, a democracia brasileira se fortalece, como se ela se imbuísse da força de cada um anistiando e cada uma anistianda que lutaram pelo Brasil: mortos, desaparecidos, presos políticos e perseguidos dos tempos de chumbo. Ainda há um longo caminho de consolidação da democracia brasileira, que passa indubitavelmente pela discussão da Lei de Anistia, outorgada durante a Ditadura Militar, em 1979, e pela responsabilização penal pelos crimes de tortura cometidos contra os direitos humanos por agentes do Estado brasileiro.

Há dois anos, no dia 10 de dezembro de 2006, morria Pinochet, sanguinário ditador chileno. Com certeza ele foi pro inferno.

2 comentários:

Celso Lungaretti disse...

Marcelo, o pior vilão e o maior herói participaram do mesmo episódio.

A vileza de Pinochet era tamanha que se passou por fiel a Allende para melhor trai-lo, só faltando beijá-lo como Judas.

Allende, apesar de sua figura pouco carismática, protagonizou momentos épicos.

Aquele discurso em que ele se declarou "companheiro presidente" é inesquecível. Nem que viva mil anos o Lula será capaz de tal grandeza.

E ele recusou a oferta dos golpistas: ofereceram-lhe a opção de embarcar num avião com os assessores e companheiros que escolhesse, rumo ao país que escolhesse.

Preferiu ficar no seu posto até o fim. Antes, falou pela rádio, despedindo-se do povo. Não tinha ilusão nenhuma de que pudesse ser poupado. Morreu por opção.

Que diferença do bobalhão do Goulart!

Em 1961, a resistência articulada por Brizola e pelos sargentos já tinha detido o golpe, ele não precisava conciliar com os milicos.

Submeteu-se ao parlamentarismo de bobeira, poderia ter assumido já como presidente pleno.

Depois, em 1964, o Brizola estava disposto a resistir, mas o Jango refugou, com a desculpa de que não se deveria derramar o sangue do povo. Um poltrão.

Um forte abraço!

Celso

Marcelo Grossi disse...

Verdade, Celso.

Quantos bobalhões e poltrões entraram para a História como heróis. E quantos Jaras e Nerudas tantos Pinochets calaram.